Isabella Veras era nova no mercado de trabalho; nunca vira tantas manobras e não saberia como lidar.
Otávio Moraes e Bento Moraes lidavam com aquele ambiente há anos, e seria questão de minutos para arranjarem problemas para a recém-chegada.
Por exemplo, quando Isabella seguiu Fernando Moraes e entrou na sala de reuniões, Otávio logo abriu a boca:
— Assim que nosso primo mais velho entra na empresa, já usa os contatos para trazer uma garotinha nova, sem se importar com a reputação do Grupo Moraes.
Isso foi direcionado a Fernando, acusando-o de desrespeitar as regras da empresa.
Mas Isabella não conseguiu se segurar, pensando que o ataque fosse para ela. Ela franziu a testa imediatamente:
— Eu passei pelo processo seletivo normal.
— Como esperado de alguém jovem. Uma simples secretária ousa falar assim com o diretor?
O semblante de Otávio se fechou na hora.
— Você veio aqui trabalhar ou para se fazer de importante?
Isabella sabia que não procurava confusão, mas também não fugia dela.
— Estou aqui para trabalhar, mas se o senhor quer me tratar como uma deusa, eu não posso fazer nada.
A expressão de Otávio mudou bruscamente. Ele bateu na mesa, se levantando para xingá-la.
Bento, com agilidade, o segurou:
— Nosso primo é o Gerente Geral, ele nem disse nada. Quem somos nós?
Aquilo parecia estar colocando Fernando numa posição de poder, mas a intenção era obrigá-lo a dar uma satisfação.
A secretária dele se atrevia a falar com eles assim e ele não ia fazer nada?
Fernando virou-se e olhou para Isabella.
Ela apertou os lábios, não esperando que uma simples frase acabasse envolvendo Fernando no problema.
Afinal, eles tinham começado o ataque.
— Se vocês têm alguma objeção, vão falar com a Família Veras. Peçam a eles que levem a filha embora, depois vocês se resolvem com a família dela.
O tom de Fernando era frio e distante.


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