Não tinha mais ninguém no quarto, mas as orelhas de Sabrina ficaram totalmente vermelhas e o coração dela disparou ao ouvir as piadas insinuantes dele.
Ela não sabia como um homem com tanta postura conseguia proferir aquelas coisas.
Era fácil parecer imoral quando um homem falava aquilo.
Mas aquilo a deixava com o rosto corado, não desconfortável, só fazia seu coração palpitar mais forte quando saía da boca dele.
— Durma um pouco, eu vou chegar quando você acordar.
Henrique notou o cansaço no tom dela, e diminuiu o som de voz. — Não haja mais com pressa assim. O Noriel é criança, mesmo que eu ouvisse você querendo voltar para a Capital, eu ainda ficaria preocupado.
Duas mulheres levando duas crianças tão tarde da noite. Se bandidos com más intenções encontrassem vocês e as crianças à noite, poderiam fazer mal a todos sem ninguém por perto para ajudar.
Henrique não chegou a terminar a frase, mas Sabrina entendeu todo o medo que ele sentia só pelo tom da voz.
— Eu só estava cansada, como algo iria acontecer? Estamos em uma sociedade sob leis.
Ela grunhiu, encerrou as discussões com ele e desligou o aparelho.
Depois de ficar acordada metade da noite, não resistiu ao sono, deitou-se e dormiu.
Mas Oceana estava acordada no quarto ao lado.
— E se eu esbarrar com o Fernando, ele vai achar que eu vim procurá-lo?
— Tsc, não dá, como eu vou me justificar se ele achar errado?
— Aquele homem vai ficar feliz da vida. Tem uma garota nova ao lado dele e uma mulher correndo atrás.
— Não, eu não posso me descrever desse jeito.
Ela virou na cama pensando, mas de qualquer maneira o seu orgulho não permitia aquilo.
Tinha sido o Fernando que tinha corrido até a Cidade S, e agora ela vinha para a Capital.
Não, ela não tinha vindo atrás do Fernando.
Henrique deu um beijo na testa dela com os lábios. Após correr milhares de quilômetros de noite, ele finalmente a encontrou.
Sabrina abriu os olhos um pouco, percebeu a barba no queixo do homem, ergueu o rosto e lhe beijou.
A barba lhe perfurou a boca, ela apertou a boca e afundou o rosto no peito dele.
— Está exausto? Durma um pouco.
Henrique concordou em resposta, mas não realizou ação alguma, só não teve como controlar sua fisiologia natural.
Com a beleza debaixo do seu braço, seu nariz inalou a essência do corpo de Sabrina, e ele não se acalmou.
Mas Sabrina estava com sono, adormeceu com mais tranquilidade na companhia dele, tinha uma respiração nivelada, as pálpebras fechadas, e ele não conseguiu incomodá-la.
Além disso, havia dois impecilhos na divisão do lado.
Perto do meio-dia, Carlitos acordou, queixou-se de fome e Oceana pediu comida de entrega, até tocar no quarto de Sabrina.

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