Henrique concordou, mas pelo telefone soaram buzinas.
— Estou aqui na rua resolvendo uns assuntos urgentes que não podia deixar para depois.
Tão tarde da noite, ele não estava trabalhando nem descansando, e estava lá fora?
— Então termine as suas coisas primeiro.
Sabrina não mencionou que tinha chegado à Capital e finalizou a chamada.
Inesperadamente, Henrique não retornou.
Aquilo estava estranho.
— Onde nós vamos? — Oceana arrastava a mala e ofegava. — Será que estamos velhas? Ficar a noite inteira voando não era tão exaustivo antes.
— Vamos achar o hotel mais próximo para ficar primeiro.
Sabrina também se sentiu fadigada.
Estava exausta para pensar no que Henrique fazia fora de casa.
Oceana olhou para ela. — Você não ligou para o Henrique? Ele não vem buscar você?
— Ele tem compromisso agora, eu não disse que cheguei à Capital.
Oceana notou algo de errado. — Tão tarde da noite, que compromisso ele tem? E ainda por cima, qual compromisso é mais importante do que buscar você e a criança?
Sabrina chacoalhou a cabeça. — Eu não perguntei, não é que eu não seja mais importante, é que eu não disse que vim para a Capital.
Isso faria diferença? Oceana achava que não.
— Deixa para lá, estamos cansadas, vamos procurar um lugar para dormir e amanhã acertamos as contas com ele.
As duas saíram do aeroporto, pegaram um táxi para o hotel cinco estrelas mais próximo e alugaram uma suíte presidencial.
A suíte tinha dois quartos, bem na medida para cada uma e as crianças.
Os dois acordaram durante a saída do avião, mas adormeceram de novo no caminho até o hotel.
Foram para a cama, viraram de lado, resmungaram e dormiram com mais vontade.
Sabrina trocou a roupa de dormir. Assim que deitou na cama, o telefone tocou.
Era a chamada de Henrique.
Do outro lado, o silêncio imperou.
— Eu estou na Capital. — Sabrina diminuiu a voz ao falar. — A Oceana e eu resolvemos vir de última hora para a Capital, nós embarcamos no último voo. Eu quis ligar antes para avisar, mas você estava com o aparelho desligado.
Acontece que Henrique também tinha entrado no avião para a Cidade S na mesma hora.
— Estava pensando em mim? — Henrique riu. — Tanto que levou a criança para voar para a Capital à noite?
— O que você está falando?
Sabrina não concluiu a fala e escutou sons de passos vindos do aparelho.
Henrique pegou a mala, saiu da residência e voltou ao carro, seguindo para o aeroporto.
Ao amanhecer, no primeiro voo do dia para a Capital, ele teria que voltar.
— A gente conversa quando você chegar à Capital. — Sabrina pensou nele indo e voltando entre a Capital e a Cidade S em uma noite, e acabou comentando: — Descanse no avião, não se esgote demais.
— Fique tranquila, mesmo exausto, eu ainda funciono. — Henrique soltou uma risada baixa e cheia de insinuação.
Pelo plano dele, já deveria estar abraçando Sabrina na cama àquela hora.

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