Antonio ficou em silêncio. Ele não queria que a esposa ficasse com raiva, mas, em relação aos filhos, já não era mais eles que decidiam.
Afinal, Henrique e Mariana já haviam crescido, eram adultos e tinham as próprias opiniões. Especialmente em um assunto tão importante quanto relacionamentos, eram eles que deveriam fazer suas escolhas.
Vendo os dois brigarem, Mariana se calou.
A atmosfera dentro do carro ficou cada vez mais tensa, e ninguém mais disse uma palavra.
O carro parou em frente à Vila de Ramos. O casal desceu, um atrás do outro. Daniela balançou os braços e caminhou em direção à casa, deixando pai e filha para trás, com apenas a visão de suas costas frias.
Mariana desceu e foi para o lado de Antonio. — Pai, me ajude a convencer a minha mãe...
Ela queria que Antonio convencesse a mãe dela a parar de sentir raiva e escutar suas explicações com calma.
Mas essas palavras soaram aos ouvidos de Antonio como um pedido para convencer Daniela a concordar com aquele casamento.
— Mariana, se você já pensou bem, o papai te apoia. O gênio da sua mãe é assim mesmo, não adianta tentar convencer. Eu tenho um cartão aqui, talvez você precise dele em algum momento.
Assim que Antonio terminou de falar, um empregado saiu da casa e foi direto até Mariana.
— Senhorita, a senhora mandou você voltar para o seu quarto. Não pode sair sem a permissão dela.
Mariana arregalou os olhos. — Como assim? Como minha própria mãe pode me trancar no quarto como uma prisioneira, em pleno século atual?
— Senhorita, por favor, volte comigo.
Dois empregados seguraram Mariana pelos braços, um de cada lado.
Mariana lançou um olhar de socorro a Antonio. — Pai, faça alguma coisa!
Antonio estava prestes a dizer algo quando, de repente, viu Daniela de pé diante da janela panorâmica da sala, o encarando.
— Escute isso, ela admitiu, não foi?
Ela jogou o celular de Mariana no sofá.
— E ainda tem a ousadia de dizer que não tem nada com aquele garoto da família Carneiro. Se eu não tivesse pegado pesado, ela não confessaria.
Antonio tentou conversar com paciência. — Ela não admitiu diretamente. Talvez não seja mesmo o que estamos pensando. E, além disso, ela não está errada. Mesmo que esteja namorando o Ricardo, trancá-la desse jeito não vai resolver nada.
— Se eu não trancá-la, ela seria capaz de fugir com o Ricardo, não acha?
Daniela discordava firmemente daquele casamento. Além disso, não poderia de forma alguma deixar que as pessoas soubessem do caso de Mariana com Ricardo.
Não por medo de manchar o nome da família Ramos, mas sim de prejudicar o futuro casamento de Mariana.

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