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Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido romance Capítulo 165

— Ele foi para a cidade. Não conseguirá voltar agora.

— Entendo.

Não havendo mais o que conversar, os dois espremeram do vazio algumas lembranças sobre Delfina residindo na casa de Filomena. Quando acabaram, tudo minguou novamente num marasmo taciturno.

Lá fora, a cólera das chuvas fustigava o vidro frágil da janela e gemia num ganido lancinante.

— Tem alguma cama onde possamos dormir aqui? — Norberto perguntou.

Tereza apontou para o andar de cima: — O segundo andar tem dois quartos. A suíte do meu tio está trancada. O outro é um depósito, tem uma cama sobrando, mas não tem cobertores.

Após absorver as más condições de alojamento, ele sustentou o mesmo aspecto inexpressivo.

— Tudo bem, passamos a noite com o que temos. — Norberto assentiu.

Com uma dose de esforço na cozinha de Kesia e Eduardo, quatro pratos ensopados com vegetais perfumaram a mesa.

— Diretor Cardoso, Dra. Leal, são pratos caseiros da roça, bastante frescos. — Kesia declarou de bom humor.

Tereza entregou uma tigela limpa para Norberto, e ele a aceitou.

Os quatro acomodaram-se ao redor da mesa quadrada e começaram a comer.

A relação de Kesia com Eduardo amargurava nos tratos corteses entre puros estranhos e a atmosfera entre Tereza e Norberto era igualmente distante e constrangedora. Para Kesia, era assustador estar perto de Norberto, pois sempre achou o Diretor Cardoso superior e inflexível.

Eduardo até quis puxar assunto, mas percebeu a falta de entusiasmo entre o Diretor Cardoso e a Dra. Leal. Restou-lhe comer em silêncio, tentando passar despercebido.

Finda a refeição, Tereza auxiliou nas lavagens da pia. Em seguida, orientou sua colega de campo: — Kesia, pode dormir lá em cima. Eu passo a noite no laboratório.

— Dra. Leal, eu não durmo na cama. Passo a noite sentada na cadeira e está tudo bem para mim.

Eduardo olhou pela janela: — Tem um toldo lá fora. Posso estacionar o carro embaixo dele. Quem quer passar a noite no carro?

Norberto olhou para Tereza e disse: — Esta noite estará muito frio, a temperatura cairá até perto de zero grau. Você acabou de sair de um resfriado esses dias, então nem pense em dormir apertada dentro daquele laboratório.

— Diretor Cardoso, o senhor sobe com a Dra. Leal, e eu fico apertada no carro com o Eduardo.

Kesia sugeriu prontamente.

Eduardo concordou com a cabeça: — Não vejo problema. Sra. Sequeira, desde que seu namorado não sinta ciúmes, está ótimo.

Kesia sabia que ele estava brincando, então corou e disse: — Eu sou solteira, que história é essa de namorado.

Eduardo soltou um murmúrio: — Então melhor ainda, pois sou um verdadeiro cavalheiro.

Kesia explodiu numa gargalhada: — Percebe-se. Tanto você quanto o Diretor Cardoso parecem ser verdadeiros cavalheiros.

Tereza estava prestes a pegar o celular para clarear o ambiente quando sentiu um impacto pesado colapsando em sua direção. Num susto instintivo, estendeu as mãos para ampará-lo. O rosto de Norberto bateu exatamente contra a cavidade de seu ombro, enquanto as mãos firmes dele apoiaram-se de ambos os lados do corpo dela.

A inércia da queda empurrou Tereza, jogando-a violentamente para trás. Em pânico, ela cravou as unhas nos braços do marido numa tentativa desesperada de se segurar, mas a força a venceu. Sua cabeça quase se chocou brutalmente contra a placa dura de madeira da cabeceira. Foi então que uma mão larga deslizou por trás da sua nuca, servindo de proteção. Sua cabeça aterrissou suavemente na palma quente dele.

— Você está bem? Bateu em algum lugar? — A voz rouca de Norberto ecoou de perto na escuridão.

— Saia de cima de mim. — Tereza esticou os braços para empurrá-lo.

Apenas então, Norberto se ergueu com uma lentidão indolente e apoiou-se para levantar. Tereza tateou a escuridão para recuperar o celular derrubado e acendeu a lanterna do aparelho.

Nesse exato instante, o berro de Eduardo ecoou do térreo: — Diretor Cardoso, acho que houve um curto-circuito. Temo que não teremos energia de jeito nenhum esta noite.

— Tudo bem! — O brado de Norberto trovejou do quarto de cima.

Com o feixe de luz ativado, Tereza notou que o celular estava sem bateria e desligou o aparelho na mesma hora, deitando-se encolhida nas roupas contra o lado mais interno da cama.

Logo depois, o pesado casaco de inverno escuro foi arranjado com delicadeza por ele sobre o corpo dela.

— Não pre... — Tereza repeliu num impulso natural.

Mas uma palma enorme e fervente ancorou o pano e Norberto ditou num comando autoritário: — Deixe de teimosia. Se você adoecer, lembre-se de que aqui não tem médicos nem remédios.

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