Hera pareceu chocada, afastando lentamente os dedos do rosto e encarando Mafalda atônita.
— Hera, agora é a melhor oportunidade para vocês reatarem o romance do passado. O Diretor Cardoso também está se aproximando de você. Vai continuar querendo perdê-lo? — disse Mafalda, cujo coração doeu ao ver Hera com aquela aparência desolada, exibindo no rosto uma mistura de tristeza e remorso.
— Pare, por favor — suplicou Hera, balançando a cabeça enquanto as lágrimas rolavam, como se não conseguisse suportar o peso daquelas palavras. — Mafalda, eu te peço, não continue.
Ao ver Hera, que sempre foi forte e orgulhosa, desfeita em lágrimas naquele momento, Mafalda percebeu o enorme peso do que acabara de dizer.
— Hera, me desculpe, eu não tinha a intenção de reviver as suas dores, mas estou realmente desesperada — murmurou Mafalda, em tom de angústia. — Eu também não quero perder a minha chance de ser feliz, mas o que eu preciso fazer para que ele olhe para mim? Será que enquanto a Tereza estiver no caminho, eu não terei a menor chance?
Hera observou Mafalda chorar com as mãos no rosto, e pareceu verdadeiramente desolada.
— Por que a nossa felicidade sempre esbarra na Tereza? Será que ficamos devendo alguma coisa a ela na vida passada? — suspirou Hera suavemente. — Mafalda, não chore, precisamos ser mais fortes. Não há nada de errado em lutar por quem amamos, mas aquele obstáculo no nosso caminho não tem o mínimo de noção.
— É verdade. A Tereza roubou a nossa felicidade, mas continua se comportando como se fosse um anjo intocável. Ela é a pessoa mais descarada de todas — disse Mafalda, que, ao finalmente ouvir a opinião de Hera, sobressaltou-se por um momento e assentiu com a cabeça.
Hera sorriu friamente em seu íntimo ao ouvir, da boca da amiga, as ofensas que não tinha coragem de proferir.
— Pronto, agora já sei o que se passa no seu coração, e vou tentar ajudá-la — disse Hera, pegando um lenço de papel para enxugar as lágrimas dos olhos de Mafalda. — O Gregório é um homem excepcional, sem dúvida será um excelente marido no futuro. Homens como ele saem de circulação assim que se casam. É perfeitamente normal que você esteja tão ansiosa.
— Sim — assentiu Mafalda. — Homens bons não ficam disponíveis por muito tempo. Por isso, quero me casar com ele e passar o resto da minha vida ao seu lado.
— Então você precisa se esforçar — murmurou Hera. — Quanto à Tereza... Eu a conheço melhor do que você. Ela passa aquela imagem de rio sereno, de alguém que não entra em disputas com ninguém. Mas, a verdade é que os métodos que ela usa vão muito além da nossa compreensão.
— Para mim, ela só está usando o Sr. Duarte como um plano B. Ela até escolheu a dedo para que ele fosse o médico responsável pela filha dela. Com tantos médicos excelentes por aí, ela tinha que escolher logo ele. Não é óbvio que o objetivo é fazer com que a filha crie laços com o Sr. Duarte, para facilitar as coisas e eles se tornarem uma família no futuro? — bufou Mafalda irritada, que sempre perdia a paciência quando se falava em Tereza.
— É assim que você enxerga a situação? — disse Hera, incapaz de conter um sorriso ao ouvir aquilo.
— E como eu poderia não imaginar essas coisas? Ai, os problemas amorosos me deixaram fisicamente e mentalmente exausta nos últimos tempos. Só tenho medo de acordar um dia com más notícias. Hera, você e o Diretor Cardoso com certeza ainda ficarão juntos de novo. Fique de olho na situação por mim, discretamente, pode ser? — pediu Mafalda, lançando um olhar de súplica a Hera.
— Sim, ficarei — disse Hera, exibindo uma expressão de pura sinceridade.
— Então ficarei esperando pelos doces do seu casamento com o Diretor Cardoso — disse Mafalda. Por fora, as palavras eram de incentivo, mas por dentro ela ardia de inveja, vendo como Hera conseguia, com tanta facilidade, ter os dois homens da Família Cardoso na palma da mão.
Por que ela, que não era gananciosa e queria apenas Gregório, tinha que enfrentar tanta dificuldade? Deus era injusto demais.
— Ninguém tem certeza do que o futuro reserva quando o assunto é sentimentos — disse Hera, com um toque de amargura.
— Não o perca de novo — disse Mafalda suavemente. A frase foi dita quase em um sussurro, mas caiu como uma pedra atirada num lago sereno, criando ondulações profundas.
Hera permaneceu em silêncio por um longo tempo, com os olhos fixos na xícara de chá.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido