— Desculpe, mas eu tenho mais o que fazer. Preciso ir agora — respondeu Kesia. Ela sempre se lembrava das orientações de Tereza: que trabalhasse com excelência, mas mantivesse uma postura discreta e evitasse qualquer atrito com o pessoal da Apex. Seus comentários anteriores só haviam escapado porque, de fato, não conseguiu controlar sua indignação.
— Você não vai a lugar nenhum. Explique o que acabou de dizer. Não ouse sujar o nome da Diretora Lopes, isso é gravíssimo — disse Rafaela, bloqueando o caminho de Kesia de braços estendidos.
As demais assistentes também adotaram expressões agressivas, impedindo que Kesia partisse assim tão facilmente.
— Vocês... — exclamou Kesia, enfurecendo-se de vez. Será que essa gente pensava que era dona do pedaço?
— Pode falar. Bota tudo para fora, guardar isso não faz bem — provocou Rafaela. Ela sabia que Kesia estava cheia de ressentimento pelo fato de Tereza ter sido rebaixada, e, naquele dia, faria de tudo para que Kesia passasse vergonha publicamente, provando que era tão patética quanto a própria chefe.
— A Dra. Leal é uma pessoa reservada. A prioridade dela são os projetos e a tecnologia. Ao contrário de algumas pessoas que fazem de tudo para aparecer na mídia, achando que algumas superficialidades as tornarão deusas aos olhos do público — disse Kesia, recompondo a postura. — Rá! Nos últimos projetos da Apex, vocês não tiveram sequer pudor de vir até a Dra. Leal implorar por dados fundamentais. O que mais vocês querem ouvir? Eu conheço todos os podres. Se quiserem ouvir, conto tudo.
*Plaf!* Ao ouvir aquilo, Rafaela perdeu completamente a cabeça. Uma fúria incontrolável a dominou e ela desferiu um tapa violento no rosto de Kesia.
— Visionária, uma ova! Na minha opinião, ela deveria ser chamada de Rainha das Sobras. A Dra. Leal jogou isso no lixo, e ela pegou de volta só para ganhar um pouco de falsa fama. E vocês, como cães de guarda, ficam tratando-a como uma deusa. Que asco — esbravejou Kesia após o choque inicial, apontando furiosamente para a revista.
— Vê se cala essa boca... — disse Rafaela.
— Pode me bater de novo! Mesmo que me mate de pancada, eu não retiro uma palavra — disse Kesia, dando um passo à frente.
Naquele momento, uma voz serena, mas com tom de autoridade retumbou no ar: — Kesia, já chega.
Todos se viraram e viram Tereza, que havia surgido de forma silenciosa na entrada do saguão do primeiro andar, segurando uma pasta.
Kesia paralisou, abaixou a cabeça em sinal de culpa e correu obedientemente para junto de Tereza, com o rosto vermelho como um tomate.
Rafaela e as outras funcionárias também perderam a coragem de dizer mais alguma coisa. Ao cruzar o olhar com Tereza, a aura naturalmente imponente e autoritária que ela emanava as fez dispersarem-se, amedrontadas.
— De hoje em diante, evite entrar em conflitos que não sejam exclusivamente relacionados a assuntos profissionais — disse Tereza, aproximando-se, parando perto da mesa de centro, lançando um olhar sobre a revista e depois para Kesia, que estava visivelmente envergonhada.
— Desculpe, Dra. Leal. Eu causei problemas para você? — sussurrou Kesia, que, ao erguer a cabeça e observar o olhar sereno e translúcido de Tereza, sentiu-se repentinamente mortificada por sua boca grande.
— Vá e verifique as propostas técnicas a serem apresentadas ao Hospital Prime. Preciso delas para amanhã de manhã. Apresse-se — suspirou Tereza.
— Sim, farei isso agora mesmo — respondeu Kesia imediatamente, com os olhos lacrimejando e assentindo com a cabeça.
— Me desculpe, Dra. Leal. Prometo que me lembrarei dos seus ensinamentos e não vou causar mais confusão — acrescentou.
Após dizer isso, Kesia virou as costas e correu em passos largos.
Tereza havia ido até lá para uma reunião. Havia alguns projetos que seriam executados em conjunto pela Vitalis Futuro e pela Apex. Era impossível que ela evitasse completamente o envolvimento com a Apex, mas sempre manteve seu foco inteiramente concentrado em questões profissionais.

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