— Se ele fizer isso, seu divórcio... será ainda mais difícil que o meu. Já comecei a pressionar aquele traste do meu marido. Se ele não me der a liberdade logo, vou jogar pesado. Tenho provas suficientes para deixá-lo apavorado. — No rosto bonito e elegante de Célia, reluziu um lampejo de fúria. A única razão para não armar um escândalo era por compartilharem o mesmo círculo social. Sendo ela uma figura semipública, o alarde prejudicaria sua reputação e sua carreira.
Tereza encarou a amiga, perplexa. Quem diria que nenhuma das duas teria tido sorte no amor.
Tereza voltou os olhos para a xícara de café, com a voz embargada:
— Suspeito que ele já acionou o jurídico da empresa para analisar a minuta. É capaz de transformar uma negociação que deveria ser simples em um labirinto impossível.
— Tereza, onde você estava com a cabeça? Como foi se apaixonar à primeira vista por um homem assim? Admita, você só se deixou levar pela beleza. Caiu no encanto daquela carinha bonita, sem enxergar quem ele realmente era. — Naquele momento, Célia sentia o coração apertado pela amiga.
Ela acompanhara de perto os tempos em que Tereza nutria esperanças e fantasias sobre o amor verdadeiro.
Agora, ao falar em divórcio, mantinha uma tranquilidade assustadora.
Só Deus sabia as decepções e golpes que a forçaram a encarar a realidade com tamanha frieza.
— Tereza, você nunca pensou em botar a boca no trombone? Fazer um escândalo sem volta, jogar esse cretino e aquela safada para serem julgados pela sociedade, e fazê-la ser apontada na rua e humilhada por todos? — Célia sussurrou a pergunta de forma incisiva.
— Eu pensei, mas não tenho coragem. — Os olhos de Tereza arderam, ficando avermelhados. Ela apoiou a testa em uma das mãos e balançou a cabeça de leve. — Uma destruição mútua não é o que desejo. Além do mais, a pessoa que mais quero proteger é Delfina. Meus pais podem estar desapontados, mas me apoiam, eu não estou sozinha. Se esse caso virar assunto nacional, como Delfina vai lidar com essa humilhação no futuro? Ela ainda é tão pequena.
Célia recostou-se na cadeira e lamentou:
— Os filhos realmente são o maior ponto fraco de uma mulher. Mas já que você a trouxe ao mundo, precisa zelar pelo futuro dela. E concordo, não há necessidade de baixaria. Você já conquistou fama e sucesso. Depois de se separar, com certeza encontrará um homem que a mereça. Um escândalo só atrapalharia sua busca por um novo amor. Tudo bem, terminar as coisas de forma pacífica é o mais sensato.
— Hum. — Tereza sempre fora pragmática. Por mais que doesse, o corte precisava ser rápido e limpo.
Ao notar os olhos avermelhados da amiga, Célia inclinou-se para a frente e perguntou baixinho:
— Tereza, no fundo, você guarda alguma esperança de que ele não assine?
Tereza sobressaltou-se. Nunca havia cogitado aquela hipótese.
Contudo, mesmo parando para pensar naquele exato momento, ela assentiu:
— É claro que sim, mas sei o quanto isso é uma tolice.
Célia estendeu a mão e a abraçou ternamente. As mulheres eram tão vulneráveis aos sentimentos, cediam tão fácil. Os homens, por outro lado, dominavam a arte da insensibilidade.
— Tereza, como você se sente em relação a ele agora? — Célia perguntou, preocupada.
— Está bem, deixemos meu primo de lado. E quanto ao Gregório... — Célia olhou para Tereza com um sorriso malicioso. — Percebe-se que ele também está esperando por você. Nem tente negar.
Tereza congelou, rebatendo logo em seguida:
— Somos apenas amigos, não crie teorias infundadas.
Naquela noite, Tereza não retornou à mansão, pois Delfina pedira que ela passasse a noite na casa da Família Leal.
Ao saber de sua ausência, Norberto sentiu um alívio inexplicável.
Às nove horas da manhã do dia seguinte.
Em vez de ir à empresa, Norberto estava acomodado em seu escritório particular na mansão, onde deu início a uma videoconferência.
Do outro lado da tela, os três participantes da reunião exibiam semblantes muito tensos.
— Vamos direto ao ponto. — Acomodado em sua cadeira, Norberto manteve a câmera desligada.

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