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Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido romance Capítulo 221

— Vocês já analisaram a minuta. Agora, quero uma estratégia prática e de impacto imediato. — Norberto ditou o tom da conversa.

O advogado Ximeno foi o primeiro a se pronunciar:

— Eu concluí a análise, Diretor Cardoso. O profissional que elaborou o documento é bastante habilidoso. Ele se esforçou para blindar os direitos da cliente sem agravar o conflito entre as partes. Felizmente, isso nos fornece algumas brechas vitais para explorar.

Enquanto falava, Ximeno compartilhou com os demais uma cópia do contrato cheia de anotações:

— No quesito de partilha de bens, as exigências da Dra. Leal são bastante simples. Ela solicita apenas o que está em seu nome, renunciando aos demais bens adquiridos durante o matrimônio. Contudo, as fatias de lucro que a Dra. Leal acumulou com as operações do grupo registraram uma valorização expressiva ao longo dos anos. Se o Diretor Cardoso desejar atacar por esse flanco, podemos requerer uma nova auditoria para o cálculo da partilha. Se a Dra. Leal quiser invalidar o pedido, terá que comprovar que a valorização derivou exclusivamente do mérito pessoal dela. E assim, teremos uma margem excelente para atrasar o processo.

— E mais: que parcela desse lucro não foi fruto direto dos recursos e contatos fornecidos pelo senhor, na qualidade de marido da Dra. Leal?

O advogado Bernardo endossou imediatamente a sugestão:

— Exatamente. Essa é uma ótima carta na manga. Se a Dra. Leal bater o pé, demandaremos uma auditoria minuciosa de todo o patrimônio dela. É um trâmite longo e tortuoso, a manobra protelatória perfeita.

Norberto escutava com semblante impenetrável e assentiu brevemente:

— Hum. Prossigam.

— A Dra. Leal estipula termos sobre a guarda e as visitas. E há uma cláusula específica sobre a Diretora Lopes: sempre que levar a criança a encontros com Hera, o senhor deverá avisar com antecedência. Do ponto de vista jurídico, essa condição é muito frágil. A lei garante o direito de visita, mas raramente restringe as companhias do genitor, a não ser que a mãe comprove que o indivíduo em questão represente um risco à criança.

Ximeno fez um adendo:

— Caso a Dra. Leal obtenha provas materiais, o tribunal pode acolher a restrição. Mas a coleta desse tipo de material depende muito das circunstâncias objetivas.

A mão imensa de Norberto, repousada sobre a mesa, cerrou-se de maneira quase imperceptível.

Será que Tereza detestava Hera a esse ponto?

Que loucura, arrastar até as visitas sociais para as instâncias da justiça civil.

— Não vamos perder tempo batendo nessa tecla. — Embora insatisfeito, Norberto fez questão de enfatizar o alvo principal: — Foco total na guarda da criança.

— Em relação à guarda unilateral, os argumentos da Dra. Leal são bastante robustos. Em compensação, o poderio econômico do Diretor Cardoso é infinitamente superior, o que pavimenta o caminho para solicitarmos a guarda compartilhada. O senhor dispõe de recursos para proporcionar oportunidades educacionais e uma estrutura de vida incomparáveis. Aliás, a forte relação paternal que existe entre vocês é outro forte pilar argumentativo.

Norberto absorvia tudo em silêncio. Seus olhos transpareciam um torvelinho de emoções.

— Diretor Cardoso, falando estritamente da tramitação burocrática: a minuta partiu unicamente dos advogados da Dra. Leal. O senhor tem pleno direito de exigir retificações ou, se preferir, rebater com um rascunho totalmente inédito. Esse vai e vem burocrático pode durar uma eternidade. Os processos cíveis, em sua essência, são disputas de exaustão.

— Não quero! — Delfina balançou a cabeça de um lado para o outro. — Mamãe, eu acho que você e o papai andam muito esquisitos ultimamente. Vocês nem se falam mais.

Ao ouvir isso, o coração de Tereza deu um pulo. Ela ficou imóvel, encarando o fundo daqueles enormes olhos negros da filha.

— Vocês nunca foram de falar muito, mas não era como agora. Ficam os dois em casa e não trocam uma palavra. O que está acontecendo? — Apoiando o queixo nas mãos e inclinando a cabeça, Delfina mirou Tereza, movida pela curiosidade pueril. — Vocês brigaram?

A garganta de Tereza travou. Por uma fração de segundo, sua mente apagou por completo. Faltaram palavras para responder à filha.

Era verdade. Delfina era pequena, não tola. Naturalmente ela captara as farpas e as indiferenças invisíveis entre ela e Norberto.

O fosso se alargara tanto ultimamente que as palavras simplesmente haviam acabado. A menina sentiu o golpe e finalmente resolveu jogar a questão para fora.

— Delfina, isso é coisa da sua cabecinha. O papai e eu não estamos brigados. — Tereza a confortou com suavidade.

— Sério? Se vocês não brigaram, então pode desejar boa noite para o papai? Eu quero ouvir você falando. — A cada ano que passava, Delfina ficava mais madura e menos suscetível a mentiras doces.

Tereza engoliu em seco. Ela era realmente incapaz de dizer uma coisa daquelas.

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