Caio sentiu um frio na espinha e riu sem graça:
— Não me entenda mal. A minha admiração pela Dra. Leal é puramente profissional. Então, não faça nenhuma burrice. Se ela for embora, onde você vai achar uma mulher tão incrível? Ela é competente, sabe lidar com pressão, tem uma personalidade serena, é dedicada aos estudos e, o mais importante, tem uma beleza natural deslumbrante. É realmente uma mulher perfeita.
Um sorriso irônico despontou nos lábios finos de Norberto:
— Ela é bonita? Engraçado, eu não acho.
Os três homens ao lado ficaram perplexos. A aparência de Tereza costumava ser ofuscada por suas habilidades excepcionais, mas a verdade era que ela possuía uma beleza genuína, inegavelmente bonita.
— Ei, isso é algum tipo de exibição? — resmungou Caio, chateado.
O pomo de adão de Norberto moveu-se. Ao parar para pensar, Tereza até que tinha uma boa aparência; era o tipo de beleza que resistia ao tempo.
Norberto bebeu o resto do copo de um gole só, sem dizer mais nada.
Após beber meia dose em silêncio, Eliseu finalmente abriu a boca:
— Norberto, isso é um assunto de família seu. Em tese, não devíamos nos meter, mas, como seu amigo, preciso dizer algumas coisas.
Norberto virou o rosto e olhou para ele.
Segurando o copo e encarando a bebida, Eliseu disse:
— Acho que você e a Dra. Leal deveriam apenas viver em paz. Chega de tormentas.
— Você gosta da Hera, não é? — A pergunta inesperada de Norberto assustou Eliseu, deixando o seu rosto rígido e sem expressão.
— Eu... Eu só a vejo como amiga, não tenho outras intenções. — Eliseu se apressou em mascarar os seus sentimentos nervosamente.
Norberto, no entanto, girou o copo nas mãos e riu subitamente:
— Pelo visto, todo mundo no nosso grupo está escondendo algum segredinho obscuro.
Os três homens olharam para ele em uníssono.
Apontando para Arturo, Norberto disparou:
— A Dora quer se divorciar de você, e você entrou em pânico. Fica aí dizendo da boca para fora que um homem deve seguir os seus impulsos, mas, no fundo, está rezando para que ela mude de ideia.
Arturo encolheu os ombros instantaneamente, como um galo derrotado em uma briga, e riu com amargura.
Norberto então se voltou para Caio:
— Sempre achei que você não soubesse muito sobre a Tereza. Quem diria que hoje estaria rasgando seda para ela?
O rosto de Caio corou e ele gaguejou:
— Eu só acho que uma mulher boa merece um final feliz, nada além disso. Norberto, não vá tirar conclusões precipitadas.
Ignorando-o, ele mirou Eliseu, que estava com o rosto ardendo de constrangimento:
— As suas intenções são as mais pesadas. Você carrega a Hera no coração, mas mantém tudo apenas como uma relação de amizade.
— E quanto a você? — Eliseu o encarou de repente: — O que está passando pela sua cabeça? E qual segredo você esconde?
Norberto hesitou, surpreso com a inversão da pergunta.
Os três homens voltaram a encará-lo em sincronia, como se o forçassem a confessar alguma intenção inconfessável.
Uma hora depois, a dor no estômago já fizera o suor frio ensopar as costas de Norberto. Ele havia vomitado um bocado. Eduardo vigiava-o ao seu lado até que o Dr. Pablo Hollanda chegou. O médico fez exames em Norberto, mediu a pressão arterial e ouviu os batimentos cardíacos, concluindo tratar-se de uma gastrite aguda provocada pelo consumo excessivo de álcool gelado com o estômago vazio.
Precisava de soro!
Encostado na beirada da cama, Norberto já não tinha forças para falar.
A agulha penetrou na veia do dorso da sua mão, e a sensação gelada do líquido se espalhou pelo sangue. Com o alívio gradual da dor, Norberto fechou os olhos para descansar.
Pouco tempo depois, o celular tocou. Era uma ligação de Hera.
Norberto fez um sinal, e Eduardo, junto com o Dr. Hollanda, saiu e fechou a porta da sala de repouso.
— Alô! — A voz de Norberto estava muito rouca.
— Norberto, ouvi dizer que você bebeu muito esta noite. Por que bebeu tanto?
Segurando o celular, ele respondeu em tom brando:
— Não foi nada. Descanse tranquila e não se preocupe comigo.
— Como posso não me preocupar? Lembro que, na noite do meu casamento, você bebeu até ter sangramento no estômago. Você já tem um histórico, então no futuro, precisa se controlar ao beber. Não pode brincar com o próprio corpo.
Norberto paralisou por um instante, lembrando-se desse episódio que havia acontecido.
— Hum, eu entendi. — Norberto assentiu.
— Sobre a coletiva de imprensa desta tarde, não culpe a vovó, nem a Tereza, está bem? Fui eu quem errou; as pessoas lá fora inventam muita coisa e isso acabou deixando a vovó brava. — Hera soluçou, com a voz suave e contida.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido