Alguém ali presente tirou sorrateiramente uma foto e compartilhou no círculo social, visível apenas para alguns amigos, com o puro intuito de se gabar. No entanto, não tardou para que essas fotos chegassem diretamente no celular de Hera.
Passava das onze horas da noite. Hera havia acabado de regressar ao seu apartamento e tomado banho. Estava com os cabelos ainda úmidos quando a tela de seu aparelho brilhou: era a captura de tela enviada por uma de suas amigas, tirada das redes sociais.
Hera analisou a fotografia sem piscar. Na sala com iluminação tênue, Norberto encontrava-se formalmente no lugar de honra. A seu lado, uma mulher de vestido negro empunhava uma taça de vinho e, enquanto se inclinava para conversar com ele, estampava no rosto um sorriso cativante. Norberto parecia devotar-lhe atenção também. Por mais que houvesse certa distância, para os olhos de Hera, qualquer ser do gênero feminino que pairasse na órbita de Norberto representava uma afronta colossal. Que dirá sendo uma jovem bela.
Hera ampliou a imagem para enxergar com mais clareza. E, ao finalmente conseguir distinguir o rosto da moça, suas memórias a presentearam com a identidade da mulher. Era a herdeira do Grupo Franco, chamada Eduarda. Ela tinha vinte e cinco anos de idade e já figurava na administração executiva da empresa.
Os dedos de Hera em torno de seu aparelho perderam o movimento. Com a propagação vertiginosa do divórcio de Norberto pelos jornais da rede, o Grupo Franco aparentemente não medira esforços em saltar à frente da concorrência, inserindo a filha descaradamente sob os olhos de Norberto num ato de promoção imediata.
Hera estreitou os olhos. Ela não orquestrara todo este plano somente para forjar caminhos para estranhos. Essa Eduarda sequer devia se atrever a tentar lhe roubar a presa.
Hera tinha o número da pessoa que havia publicado aquela foto na rede social. Portanto, abriu a janela de mensagens com ela e redigiu as seguintes palavras:
— Sra. Almeida, o Diretor Cardoso é um homem de família. Os assuntos privados dele não precisam de seus boatos infundados na rua. Peço, por favor, que você apague essa foto.
Após apertar o botão de envio, os dedos de Hera se recolheram de imediato. Ela sentiu que suas palavras haviam sido estúpidas e incoerentes. Hera sabia muito bem que a sua posição não lhe oferecia nenhuma autoridade legítima para reger esse aspecto da vida dele, se fosse Tereza lidando com a questão, as atitudes teriam pleno respaldo, no entanto ela... não possuía qualificação alguma para opinar naquilo.


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