Eliseu fitou os olhos cheios de lágrimas, vermelhos e imensamente vulneráveis.
No passado, ele não teria hesitado em puxá-la para um abraço e confortá-la em seus braços.
Mas agora, ele não sentia nada além de um cansaço indescritível invadindo o seu coração.
— Você alguma vez já me escolheu? — Sua voz saiu baixa e fraca.
Hera congelou, atônita.
— Você nunca me escolheu. — Continuou Eliseu, pausando a cada palavra enquanto encarava os olhos vermelhos dela. — Eu era o estepe, a sua opção reserva. Agora que o seu poço secou com o Norberto, você vem correndo atrás de mim. Hera, eu estava perfeitamente feliz em ser a sua segunda opção antes, porque te via como uma pedra preciosa que valia a pena esperar. Mas, ao perceber que não estava admirando uma joia deslumbrante, e sim um pedregulho cheio de falhas, me dei conta de que toda essa minha espera não teve sentido.
O rosto de Hera perdeu a cor subitamente: — Eliseu, não é verdade, eu...
Eliseu desfez a força dos dedos dela em seu braço, afastando-se gentilmente: — Ficamos por aqui. Não volte a me procurar.
Hera continuou cravada no lugar, as lágrimas rolando descontroladamente. Seus lábios tremeram, ansiando por proferir algo, mas falhando miseravelmente.
Cega pela sua recusa em aceitar a derrota, ela perseguiu-o até a saída e agarrou a manga do seu casaco: — Eu sou tão desprezível assim? Por que você está me tratando assim? Exatamente no momento em que me sinto mais vulnerável e precisando de você, como você é capaz de agir assim?
O objetivo de Eliseu era encerrar aquela história com classe e dignidade, mas Hera se recusava a soltar a corda.
A voz de Eliseu tomou um tom gélido e distante: — Você não tem opções suficientes no seu lago de pretendentes? Hera Lopes, você nunca se apaixonou de verdade por ninguém na sua vida, não é mesmo? Até o Norberto foi só uma escada que você usou para subir e se estabilizar na Família Cardoso. Já que não tem um coração para dar, não exija que as pessoas te deem um de volta.

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