Norberto ficou em silêncio do outro lado da linha. Após um longo intervalo, sua voz fria e inexpressiva quebrou o silêncio:
— Você já amou alguém de verdade na vida?
Hera sentiu o impacto daquelas palavras e sentiu que algo dentro dela estava afundando cada vez mais.
Se qualquer outra pessoa a questionasse assim, ela brigaria sem parar por três dias seguidos. Mas vindo de Norberto, sua garganta secou, como se estivesse tapada por algodão.
— Mas é claro. Claro que eu já amei. Norberto, por que me pergunta isso? — Ela logo tratou de encenar e vestir a máscara da mulher frágil, desamparada e assustada.
— Não, você não amou. — A crueldade de Norberto foi incisiva. — Até essa frase que você acabou de dizer não passa de uma invenção desesperada para tentar me manipular.
— Norberto, o que você está dizendo? Como eu poderia...
— A pessoa que você mais ama no mundo é você mesma. Você nunca ligou para os sentimentos de mais ninguém. Você gosta de jogar com diferentes homens bem-sucedidos, roubando os corações deles com facilidade para depois pesar na balança e ver quem te proporciona a maior vantagem. E essa pessoa... antes, era o meu irmão. Agora que ele se foi, sou eu. — A voz de Norberto era áspera como lixa e abria feridas em quem escutasse. Ele estava frio, afiado e dissecava perfeitamente as manobras e artimanhas de Hera dos últimos dezoito anos.
Hera parecia ter sido atingida por um raio. Ficou completamente paralisada. A expressão em seu rosto não parava de mudar, cheia de oscilações.
Ela tentava pensar em alguma forma de se justificar ou contornar as acusações, mas agora lidava com um Norberto totalmente desperto para a realidade. Qualquer coisa que ela dissesse apenas agravaria a culpa que carregava.
— Norberto... vejo que, quando o amor se apaga, ele se transforma numa faca impiedosa que perfura fundo no coração do outro. Eu entendi. — O sorriso de Hera era amargurado, o típico sorriso de um inseto abandonado, que antes fora mimado, mantido na palma da mão, cheio de amores, e agora, descartado como um lixo inútil, sofre os mais severos maus-tratos e golpes.

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