O rosto de Hera escureceu ainda mais e seus lábios tremeram, mas nenhuma palavra saiu de sua boca.
— Precisa de mais alguma coisa? Se não, tenho mais o que fazer. — Quando Tereza virou-se para sair, Hera atirou-se na frente dela com uma rapidez inexplicável, bloqueando-lhe o caminho:
— Aquela bomba que estourou na Apex, foi você que vazou, não foi? Você está me sabotando de propósito! E tem mais: o que foi que você tramou pelas minhas costas? Você contou para a mãe e para a avó o que ouviu no terceiro andar aquele dia, e por isso elas desconfiam de mim e me culpam pela morte de Alarico? Tereza, você me dá nojo. Que crime eu cometi por amar alguém? Fui eu quem cheguei primeiro e você depois. Que direito você tem de interferir? Se você não tivesse aparecido na Família Cardoso, eu não estaria nessa situação hoje. É tudo culpa sua.
Tereza encarou aquele rosto contorcido de ódio e os olhos que pareciam chamas vivas, soltando um sorriso desdenhoso:
— Quem planta o mal, colhe a própria ruína. Se você soubesse que terminaria assim, teria tido mais compostura. Casar com o irmão mais velho enquanto cobiça o cunhado... é um roteiro que nem o roteirista mais louco ousaria escrever. E você não só o idealizou, como protagonizou.
Hera tremia de fúria e as lágrimas escorreram pelo seu rosto. As palavras de Tereza foram como um soco na garganta, expondo uma verdade inegável: suas ações iam contra qualquer princípio ético.
Tereza prosseguiu, implacável:
— Os problemas com os projetos da Apex não têm nada a ver comigo. Não tente colocar tudo na minha conta. Não fui eu que decidi a fusão das empresas. Você agora me acusa de roubar a sua posição, mas não percebe o quão ridículo isso soa? Essa mesma posição você a roubou uma vez, mas me diga: como foi que conseguiu perdê-la?
A respiração de Hera ficou curta. As lágrimas acumuladas nos cantos dos olhos insistiam em cair, por mais que ela tentasse segurá-las.
— Tereza, você já tem tudo: carreira, reputação... Não pode simplesmente me deixar em paz? Você sabe muito bem que o Norberto não a ama. Por que você não o cede para mim? — Hera percebeu que não ganharia aquela briga através de discussões ríspidas e insultos. A única alternativa era abaixar a cabeça e interpretar o papel da coitadinha indefesa, suplicando a misericórdia de quem agora detinha o poder.
— Mas eu não já o cedi? O que foi? O caso extraconjugal e a traição eram mais emocionantes e agora que vocês podem ficar juntos livremente, ele já não te quer mais? Pelo visto, só tem graça quando é escondido. — Tereza deu uma risada gélida e, em seguida, deu as costas e foi embora.
Hera tentou detê-la novamente, mas pareceu que seus pés haviam sido pregados no chão.

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