E agora? Ficou ali parada, assistindo enquanto ela era humilhada. Não apenas não moveu um dedo para ajudar, como ainda ficou mexendo no celular, como se não tivesse nada a ver com aquilo.
Hera finalmente enxergou a verdadeira face daquela amizade e decidiu que não queria mais nenhum contato com ela.
O vento do início de dezembro já soprava com uma frieza cortante, típica da aproximação do inverno.
Tereza estava sentada no escritório, bebericando uma xícara de chá de camomila que havia acabado de preparar.
Na tela do computador brilhava o rascunho de um relatório de projeto. Naquele instante, seus olhos recaíram sobre o canto inferior direito: oito de dezembro.
Em três dias, seria o seu aniversário. O tempo estava passando rápido demais.
Lembrou-se de como costumava ser essa data. A matriarca sempre organizava um jantar e convidava a Família Leal. As duas famílias se reuniam, dividiam a refeição, cortavam o bolo, e ela recebia presentes dos mais velhos.
Seus aniversários sempre foram discretos. Ao receber os presentes, ela fazia questão de anotar tudo direitinho, para poder retribuir a gentileza em uma ocasião futura.
Este ano, parecia que não precisaria se preocupar com tantas formalidades. Bastava jantar com os pais e aproveitar o dia com alegria.
Passava das oito da noite quando ela voltou para o apartamento. Assim que abriu a porta, ouviu o som de vozes conversando. Parecia que Henrique estava ali.
— Sr. Cardoso, qual é o nome desse robozinho? As músicas que ele canta são tão lindas! — Delfina conversava alegremente com um pequeno robô de formato curioso, com o rostinho irradiando pura satisfação.
— O que é isso? — Tereza perguntou com um sorriso ao entrar na sala.
— É um robô inteligente de última geração que pedi para um amigo trazer do exterior. Achei que seria ótimo para fazer companhia e distrair a Delfina — Os olhos escuros de Henrique brilharam ao se levantar para responder.
— Essa aqui é a minha mãe, o nome dela é Tereza. Didi, diga oi para a mamãe! — Delfina logo falou animada com o brinquedo.

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