Por volta das três da tarde, Norberto entregou Delfina a Filomena: — Sogra, a Delfina precisa tirar um cochilo. Pode olhar ela um pouco para mim?
Filomena, que conversava com algumas tias, pegou a neta no colo imediatamente. Vendo os olhinhos pesados da menina, ela sorriu com ternura: — Claro, deixe-a comigo. Mas você está de saída, Norberto?
— Sim. Surgiu um imprevisto na empresa, preciso dar uma saída. — Após acomodar a filha, Norberto deixou a casa.
Naquele momento, Tereza ainda estava no segundo andar, fazendo sessões de fisioterapia na avó. A idosa reclamava de insônia e dores nos ombros. Todos os seus velhos problemas de saúde pareciam ter sido agravados pelo estresse recente.
No final da tarde, ainda mais parentes distantes da Família Cardoso chegaram, sendo necessário preparar cinco mesas para acomodar a todos.
As mesas se espalhavam pelo salão principal e pelas salas adjacentes, todas brilhantemente iluminadas.
Os pratos fartos e requintados, servidos nas mesas redondas de mogno, pareciam ainda mais apetitosos sob a luz dos lustres de cristal.
A avó usava um casaco de brocado vermelho, irradiando a inconfundível autoridade de matriarca da família.
Jessica auxiliava os convidados a se acomarem, mas sua expressão estava visivelmente tensa.
Ela olhava repetidamente para a direção da sala de estar. Afastando-se um pouco, levou o celular ao ouvido: — Norberto, todos os convidados já chegaram. Onde você está?
— Mãe, estou ocupado aqui. Não vou conseguir voltar para o jantar. — Norberto disse apenas isso e desligou na mesma hora.
Jessica ficou olhando para a tela do celular, atônita por alguns segundos. Tentou ligar de novo, mas a chamada não completou.
— Moleque irresponsável! Com uma ocasião dessas hoje, como vou explicar a sua ausência para a sua avó? Atenda logo essa droga de telefone! — Jessica ligou incessantemente, mas ele continuou sem atender.
Sem alternativa, ela ligou para o assistente dele, Eduardo.
Eduardo respondeu com formalidade: — O Diretor Cardoso saiu dirigindo o próprio carro. Eu realmente não sei onde ele está.
— Tem certeza de que não sabe? — O tom de Jessica tornou-se autoritário.
— Senhora, eu não ousaria adivinhar o paradeiro do Diretor Cardoso.
Sem escolha, Jessica desligou o telefone. A essa altura, as três mesas do salão principal já estavam lotadas, restando apenas dois lugares vazios. Os convidados já começavam a murmurar, especulando em voz baixa.
Henrique também estava presente, vestindo um terno casual que lhe conferia um ar despojado. Com seu habitual sorriso cínico, ele havia trazido presentes especiais para Delfina, fazendo a menina gargalhar com suas brincadeiras.
— Já que estamos todos aqui, vamos começar a ceia. — A avó lançou um olhar sombrio para o lugar vazio ao seu lado e deu a ordem.
— Bisavó, o meu papai ainda não chegou! — Justo quando todos prendiam a respiração, Delfina, com o rostinho apoiado nas mãos, anunciou em voz alta.
— Onde está o Norberto? — A matriarca não conseguiu se conter. Pousou o garfo e encarou Jessica com insatisfação: — Em plenas festas de fim de ano, num jantar de família... por mais ocupada que a empresa esteja, ele não deveria faltar.


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