O vento gélido da noite invadiu a pele de Luana, e um desespero mortal congelou seus ossos. Sentindo o rosto vazio e exposto, ela instintivamente levou as mãos, ainda machucadas, às maçãs do rosto.
Não tocou na suavidade da máscara, apenas na carne viva. A dor de sua deformidade espiritual a atingiu.
Luana abaixou a cabeça num reflexo instintivo de vergonha.
Enquanto isso, no canto, Paloma havia se libertado das cordas. Rasgou o próprio capuz e voou contra Otávio como um animal acuado. Usando toda a força do seu desespero, Paloma arremessou a cabeça do capanga contra a parede, formando um galo de sangue na mesma hora.
Paloma olhou para Luana e viu a máscara caída no chão. Ao tentar pegar o objeto para a irmã, ela não previu a aproximação letal de Lúcio. Ele a agarrou pelo braço. Paloma não hesitou, afundou os dentes no pulso de Lúcio, rasgando a pele dele.
Consumido pelo ódio, Lúcio desferiu um tapa devastador no rosto de Paloma.
O golpe foi tão brutal que o corpo esguio de Paloma voou longe, chocando-se contra o cimento. Um zumbido surdo ensurdeceu seus ouvidos. O gosto metálico de sangue invadiu sua boca e ela sorriu com puro escárnio letal, os dentes manchados de vermelho.
Otávio avançou, puxando-a pelos cabelos, quase arrancando o couro cabeludo. Paloma sibilou de dor.
Ao ser arrastada para fora do galpão, Luana também estava lutando pela própria vida perto da porta do carro. Ela agarrava o metal, recusando-se a entrar no veículo que a levaria para a morte no rio.
Sabendo que se Luana morresse, ela não teria como enfrentar a ira de Sebastião, Paloma olhou para trás, cuspindo sangue, e rugiu na direção de Lúcio:
— Sr. Lúcio! Acredite ou não, ela é sua irmã! De sangue!
Lúcio, que estava esfregando o próprio ferimento, zombou das palavras absurdas com um sorriso maníaco e sombrio:
— Paloma... Quem te deu essa audácia inútil de tentar me manipular vezes sem conta?
Vendo que ele a tratava como lixo, o sorriso de Paloma desceu a um poço de desespero absoluto. Seus olhos exalaram veneno puro:
— Lúcio... Mesmo que não acredite nisso... Ela é a mulher de Antônio Lemos. Você sabe muito bem disso. Quando Antônio chegar, você vai queimar no seu próprio inferno.
Lúcio gargalhou, arrogante e maligno:
— Antônio Lemos?
A recepção confirmou.
Os dois impérios corporativos não tinham vínculos. Augusto tentara se aproximar de Antônio, sem sucesso, dado o ego supremo do homem. Augusto havia ignorado a rejeição para manter seu orgulho, mas agora ele estava ali na porta.
— Deixe-o subir.
Se fosse antes, Augusto desceria pessoalmente. Mas com sua própria honra ferida, ele se recusou a demonstrar submissão.
Dois minutos depois, batidas na porta soaram. Augusto ajeitou sua postura de magnata e caminhou sem pressa para abrir. Ele estava preparado para negociar.
Contudo, a figura que estava na sua porta exalava uma aura de massacre tão avassaladora que roubou todo o oxigênio do ambiente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
Na fase final sa história eles põem essa mudança ridícula de linguagem esse autor mud para uma linguagem ridícula totalmente fora do contexto atual que iniciou a história...
Fica horrível a leitura quando eles adotam essa linguagem....
Por favor, libera mais capítulos!...