Ao notar Luana atravessando a penumbra, Zaqueu sentiu as correntes de sua angústia se partirem, clamando em tom suplicante:
— Senhora.
Pérola freou as unhas profanas que dedilhavam copos na mesa, escorregou o pescoço de cisne em direção à Luana e sibilou seu teatro letal:
— Irmã Luana! Nosso querido Sr. Antônio tentou arrastar-se embora, mas meus parceiros de farra estrangularam qualquer fuga possível dele. Minhas sinceras desculpas!
Luana espancou a atmosfera atirando num suspiro as palavras 'não foi nada' de forma fúnebre. Pairando ao lado da carcaça do tirano afogado, sacudiu a monstruosidade pelo paletó impiedoso:
— Levante.
Como uma besta quebrando as barreiras do inferno, os olhos pesados de Sebastião destrancaram-se. A neblina dissipou-se brutalmente, delineando a pele alva e apática da fêmea ali. Deu um estalo seco com a garganta rouca, revelando um riso diabólico, imponente até no fundo do poço.
— Luana... você rastejou até aqui por mim.
Num solavanco bruto de uma criatura indomável, ele triturou o couro para erguer a estrutura gigantesca. Mesmo balançando, Luana prendeu as unhas num tecido imundo, ajudando a transportar aquele rochedo rumo às saídas.
Pérola puxou os tecidos para se empacotar do frio profano, rastreando as sombras opressoras rumo às calçadas desoladas.
Juntos, enjaularam o corpo dominador no casulo de luxo negro e opressor sobre rodas.
Com o cão leal pronto para girar as chaves, Pérola materializou-se encostada à calçada perversa, murmurando palavras açucaradas na cara de gelo de Luana:
— Irmã Luana, me acompanhe um instante até a fumaça noturna, concorda?
Sem demonstrar rastro de qualquer humanidade, aceitou e fundiu-se sob o escuro envernizado das lâmpadas quebradas:

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
Fica horrível a leitura quando eles adotam essa linguagem....
Por favor, libera mais capítulos!...