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Toques Proibidos: Prazer em Série romance Capítulo 269

O sol ainda não havia nascido quando Robert acordou sobressaltado no apartamento do Itaim Bibi. Eram 4h47 da manhã. Ao seu lado, Mariana dormia profundamente, o rosto inchado de tanto chorar na noite anterior. Os lençóis estavam embolados ao redor do corpo nu dela. Ele ficou olhando para ela por longos minutos, o peito apertado.

Duas semanas.

Era tudo que lhe restava.

A ideia de voltar para Nova York — para o frio, para o apartamento vazio, para uma vida sem ela — parecia absurda. Pior que absurda: impossível.

Robert se levantou sem fazer barulho, vestiu uma calça de moletom e uma camiseta, e foi até a varanda. A cidade ainda dormia. Apenas alguns pontos de luz brilhavam na escuridão. Ele respirou o ar úmido da madrugada e tomou uma decisão que mudaria tudo.

Não iria embora.

Não podia.

Às 5h20, ele acordou Mariana com um beijo suave na testa.

— Vem comigo — sussurrou ele. — Quero te mostrar uma coisa.

Mariana, ainda sonolenta e com os olhos vermelhos, não fez perguntas. Vestiu um short jeans e uma blusa larga dele, calçou tênis e o acompanhou. Entraram no carro em silêncio. Robert dirigiu até o Parque Ibirapuera.

O parque abria oficialmente às 5h. Eles foram quase os primeiros a entrar. O ar estava fresco, úmido, com cheiro de grama molhada e terra. O céu começava a clarear no horizonte, pintando-se de tons suaves de rosa, laranja e dourado. Os pássaros cantavam alto, celebrando o amanhecer.

Eles caminharam de mãos dadas pelo mesmo caminho que haviam percorrido semanas antes, durante o piquenique. Dessa vez, porém, não havia risadas. Havia peso. Havia medo. Havia amor.

Chegaram ao mesmo lugar onde haviam feito amor quase em público — a pequena elevação gramada parcialmente escondida por arbustos, com vista para o Obelisco. Robert estendeu a jaqueta no chão e eles se sentaram. O céu agora queimava em tons vibrantes de laranja e rosa. O sol começava a surgir atrás das árvores.

Mariana encostou a cabeça no ombro dele. Nenhum dos dois falava.

Foi Robert quem quebrou o silêncio.

— Eu não vou embora.

Mariana ergueu a cabeça rapidamente, os olhos arregalados.

— O quê?

— Eu não vou voltar para Nova York — continuou ele, olhando para o horizonte. Sua voz estava firme, mas emocionada. — Ontem à noite, enquanto você dormia, eu percebi que nada lá importa mais. Nem o cargo, nem o salário, nem a carreira que construí por quinze anos. Nada disso vale a pena se eu te perder. Eu prefiro pedir demissão, ficar no Brasil, aprender português direito, vender hambúrguer se for preciso… do que viver sem você.

Pela primeira vez em muito tempo, Robert não se sentiu um estrangeiro em São Paulo.

Ele se sentia em casa.

Mariana entrelaçou os dedos nos dele e apertou com força.

— Vamos enfrentar isso juntos. Seja o que for que aconteça no banco… nós vamos enfrentar juntos.

Robert beijou a testa dela e sorriu pela primeira vez em quase 24 horas.

— Juntos.

Enquanto o sol iluminava completamente o Obelisco ao longe, os dois permaneceram sentados na grama, abraçados, finalmente em paz com a decisão que haviam tomado.

Não seria fácil.

Haveria consequências profissionais. Haveria fofocas. Haveria desafios. Mas pela primeira vez, nenhum dos dois tinha mais medo do futuro. Porque o futuro, agora, era um ao lado do outro.

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