Renata não acreditou que ele falaria aquilo.
Antes, ela saltaria de tanta felicidade.
Só que agora.
Seu interior se mexeu e virou pó.
Tudo o que ele tinha aprontado com ela naqueles anos e naqueles dias destruiu qualquer expectativa.
Checando as horas e vendo o quão tarde estava, ela percebeu que não dava para bater mais boca com ele.
Depois de largar o batom, virou o rosto e deslizou a mão por toda aquela face dele.
— Quer ir comigo, é?
Ele nunca tinha passado por um carinho assim dela e, não segurando a tensão, segurou a mão e a mexeu um pouco.
— É...
Renata tirou as mãos dele, encerrando o chamego, e disse levemente.
— Pode deixar. Imagina se a imprensa nos flagra! Você não quer abafar a nossa história!
Ele franziu a testa, os olhos demonstrando toda a tensão e algo travado na boca.
Pois naquela vez ele realmente falou, não era bom explanar...
Vendo ele recuar, a garota achou graça mentalmente.
Ela recuou a mão, tirou a mão dele e, completando: — Está meio tarde. Estou saindo.
Assim, apanhou a mochila e foi. Não suportava estar no mesmo ambiente.
Wilson ficou ali plantado, sem entender, o que era bem atípico.
Ele olhou toda a silhueta formosa desaparecer da visão. Desceu, só para notar o barulho do carro ligando lá na rua. Ele, já injuriado e tentando afrouxar a gravata com as mãos, notou que vestia moletom. Piorou tudo...
Ele não fazia ideia de uma coisa.
Sempre, em cada dia de lá, ele tratou a garota dessa maneira.
Nesse ínterim, Dona Josefa veio: — Senhor, seu lanche já chegou. Vai tomar o café agora?
Ele franziu a testa.
Isso significa que a mulher não pôs nada na barriga antes de sair de casa?
Sem falar nada por um momento, concluiu: — Logo desço, subo para entrar debaixo d'água primeiro.
Dona Josefa resmungou alguma coisa, voltando, e cogitou se o padrão dele andava de um humor péssimo.
Ele voltou para tomar banho. Vestiu tudo, irritado, após dar falta das abotoaduras de pedra.

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