Pelas palavras, ela podia até imaginar a cara presunçosa de Sabrina...
Renata piscou de leve. Segurou o celular com força, a palma da mão marcada de branco, sem conseguir sentir dor alguma.
No fim das contas, ele tinha ido fazer companhia a Sabrina.
Após um momento, o rosto de Renata empalideceu, e ela soltou um riso.
Riu da própria ingenuidade de ter nutrido uma esperança tão tola.
Nisso, outra mensagem surgiu na tela.
Wilson: [Tive um contratempo. Vá comendo, não precisa me esperar.]
Tão frio como sempre.
Como se as mensagens dela o tivessem incomodado e irritado.
Era como se dissesse que ela não sabia o seu lugar. Ele estava tão ocupado e ela ainda o cobrava por um encontro de aniversário.
Renata olhou para o celular, pálida e humilhada.
Ela respondeu: [Tá bom. Bom trabalho. Peço desculpas por incomodá-lo, Sr. Lopes!]
O homem não respondeu. Ele não se importava com a raiva ou a humilhação dela.
Renata apertou o celular. Tinha perdido qualquer esperança!
A porta da sala se abriu. — Senhorita, posso servir agora? — perguntou educadamente um funcionário.
Renata voltou a si, passou a mão no rosto e tentou agir o mais natural possível. — Sim, pode.
— Certo.
Pouco depois, todos os pratos já haviam sido servidos, requintados.
Mas Renata estava sem apetite algum.
Ela abriu uma garrafa de vinho e começou a beber aos poucos, como se para celebrar tudo que havia sacrificado nos últimos três anos!
De lá em diante, nunca mais se apaixonaria por Wilson!
Uma lágrima quente escorreu pelo canto dos olhos, cristalina...
Após beber, Renata abaixou a taça e mandou uma última mensagem a Wilson:
[Lembre de olhar a caixa de presente que te dei da última vez.]
E não quis mais saber se ele responderia ou não. Pegou suas coisas e foi embora!
Queria sair de lá!
...
A noite estava densa.
Wilson saiu do aeroporto num sobretudo preto e entrou num Bentley que o aguardava.
Pela manhã, um projeto em uma cidade vizinha teve um problema, e ele precisou ir resolver, ocupando-o até aquele instante.
Ao entrar no carro, Wilson se encostou no banco exausto, soltou a gravata com os dedos longos e massageou a testa. A luz fraca deixava o rosto bem marcado envolto em sombras.
Camilo estava no banco da frente e perguntou: — Sr. Lopes, vamos para onde agora? Para casa?
Wilson abriu os olhos. — Para o Restaurante Horizonte.


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