Em vez disso, Dona Josefa saiu do quarto de empregada no primeiro andar, ao ouvir os gritos.
— Patrão, o senhor chegou. A senhorita Renata não está. Ainda não voltou, e não sei aonde foi... Ah, hoje não é o aniversário de vocês? Por que ela não está aí?
Wilson parou de supetão... E do nada, sentiu um frio na barriga!
O nervosismo atingiu o ápice quando ele pegou o telefone e viu a mensagem enviada há pouco.
Renata: [... Peço desculpas por incomodá-lo, Sr. Lopes!]
[Lembre de olhar a caixa de presente que te dei da última vez.]
Sr. Lopes.
Ela o havia chamado de Sr. Lopes, e o distanciamento exalava da tela.
Como se não fossem um casal, e sim colegas de negócios.
Antes, ela o chamava de Wilson, ou pelo sobrenome no ambiente de trabalho... Mas nunca num tom tão distante.
Wilson sentiu um incômodo gigante.
— Entendi.
Respondeu a Dona Josefa. Logo em seguida, ele se dirigiu à prateleira da sala de estar para pegar a caixa. Iria abri-la e conferir o relatório em seguida...
Sem motivo, as batidas do coração se intensificaram.
Wilson puxou o ar, desfez o laço azul da caixa e levantou a tampa...
Pelo canto do olho, de relance, notou um celular e um objeto de papel.
Duas mãos finas repentinamente o abraçaram por trás, repousando na costa dele com uma maciez impressionante.
Wilson prendeu a respiração, o pomo de adão saltou. O coração acelerou, e uma emoção percorreu o corpo.
Crendo se tratar de Renata, baixou a caixa e abriu um sorriso.
Sabia que Renata prepararia uma surpresa.
Ele apalpou de leve a pequena mão nela cintura. E com um tom mais alegre que o normal, disse: — Você é mesmo...
Antes que terminasse a frase, a voz soou baixinho queixando-se. — Irmão, por que não atendeu minhas ligações? Você me ignorou, fiquei preocupada...
O cérebro de Wilson deu um apagão. Ele franziu o cenho e sentiu uma pontada de rejeição instantânea. Totalmente ao contrário do que havia sentido há poucos segundos.
Ele se desvencilhou das mãos, se virou, baixou o olhar e disse friamente:
— Sabrina, o que faz aqui?
Sabrina lacrimejava. Em seguida, jogou-se nele novamente e disse lamuriosa:
— Irmão, fica comigo, por favor? Prometo nunca mais fazer você se aborrecer...
Wilson travou, hesitou por um instante antes de dar uns tapinhas nas costas e se preparar para responder.
A porta de casa se abriu.

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