Regina Silveira trouxe um copo d'água e, vendo-a daquele jeito, perguntou preocupada:
— O que foi? O que o Wilson disse?
Sabrina engoliu em seco, colocou o celular de lado, fechou os olhos e disse:
— Ele não disse nada!
— O quê? — Regina deixou o copo escorregar da mão, que se espatifou no chão. Sem se importar, exclamou nervosa: — E agora, o que vamos fazer? Você se preparou há tanto tempo para este concurso, não me diga que tudo isso vai ser desperdiçado assim?
— Maldita seja! Aquela Renata é uma sem-vergonha! Ela sabe esconder bem as garras!
Ela amaldiçoou com raiva. Pensando na situação atual da filha, voltou a ficar aflita; aproximou-se, segurou a mão dela e disse:
— Sabrina, o Wilson não gosta tanto de você? Por que ele não quer ajudar agora? Que tal você ligar de novo e perguntar?
Sabrina abriu os olhos, distraída. Ia dizer algo quando o seu olhar caiu sobre o copo quebrado e a água espalhada no chão, e de repente parou.
Porque aquilo parecia representar ela mesma, sendo descartada pelas próprias mãos de Wilson Lopes……
Na verdade, desde que Wilson voltou para acompanhá-la há pouco, estava ausente, olhando o celular a todo momento e apressando a enfermeira para aplicar a injeção nela, parecendo ansioso para ir embora.
No passado, ele nunca agiria assim.
Ela sabia que ele estava com pressa para encontrar Renata.
Regina continuava ansiosa ao lado:
— O que faremos? Sabrina, diga alguma coisa.
Sabrina voltou a si, forçou um sorriso pálido e amargo e disse:
— Vou tentar de novo.
Se ainda não funcionasse, ela só poderia…… partir para o tudo ou nada.
Porque ela realmente não suportaria ver Renata subir na vida pisando nos ombros dela!
Se tivessem de afundar, afundariam juntas.
Regina apressou-a imediatamente:
— Sim, sim, tente de novo depressa! O Wilson gosta tanto de você, te mima tanto, com certeza não vai ter coragem de negar!
— Quem a Renata pensa que é? O Wilson só está sentindo a novidade. Quando ele enjoar, ele a descarta. Eu entendo bem de homens.
— ……
Sabrina apertou os lábios, sem dizer nada. Ela bem que gostaria que ele sentisse apenas a novidade por Renata.
Depois de Regina xingar mais um pouco, mal teve tempo de respirar quando o celular tocou de repente.
Era uma ligação do secretário da empresa.
Regina recuperou o fôlego e atendeu depressa:
— A disputa da licitação contra o Grupo Lopes também está avançando.
Cristiano Jardim acenou de forma impassível:
— Bom trabalho.
Caio Faria tirou da pasta um arquivo com capa preta e entregou-lhe, dizendo:
— Isto é o que o especialista me pediu para lhe dar. São planos para curar a amnésia causada por traumas e choques.
Ele pegou o arquivo como se fosse um tesouro, mas não teve pressa em abri-lo. Iria analisá-lo com cuidado depois de interrogar Sérgio Viana.
Caio Faria entendeu as intenções dele e logo o conduziu ao camarote. Empurrou a porta e disse:
— Sr. Jardim, é aqui.
Cristiano Jardim acenou com a cabeça, entrou e lançou um olhar frio ao redor.
O ambiente do camarote era luxuoso e extravagante, exalando um ar de riqueza e depravação.
Se não houvesse uma pessoa amarrada à cadeira no centro, com o rosto machucado e inchado, ninguém acreditaria que aquele local servia para atos tão cruéis e violentos.
A pessoa era Sérgio Viana. Naquele momento, ele tremia de dor pelo corpo todo, com a cabeça baixa, parecendo morto……

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir
Acho q uma história dessa merecia um final melhor, mais explicado e com mais detalhes!...