Os seguranças na sala, ao verem Cristiano Jardim entrar, cumprimentaram respeitosamente:
— Sr. Jardim.
Cristiano Jardim estreitou os olhos para observar Sérgio Viana.
Um dos seguranças entendeu imediatamente o sinal; pegou uma garrafa de água gelada que estava sobre a mesa e despejou-a sobre a cabeça de Sérgio.
— Ah! — Sérgio acordou sobressaltado, ofegando pesadamente e, por instinto, suplicou por misericórdia: — Por favor, soltem-me, eu vou pagar o que devo! Olha, a minha irmã é alguém importante, o namorado dela é o Wilson Lopes, do Grupo Lopes, ele tem muito dinheiro. Soltem-me e eu irei agora mesmo pedir dinheiro a ele!
Caio Faria franziu a testa e, instintivamente, olhou para Cristiano Jardim, que tinha uma expressão fria. Um arrepio subiu pela sua espinha, imaginando que Sérgio estava prestes a cavar a sua própria cova hoje.
Cristiano Jardim não se irritou, em vez disso, sorriu:
— E quem é essa sua irmã, afinal?
Sérgio pensou que havia esperança, abriu com dificuldade os olhos inchados e arroxeados e olhou para o homem que se aproximava, querendo dizer algo.
No entanto, antes mesmo de as palavras saírem, ao ver o rosto familiar, calou-se abruptamente, pálido de pavor.
Com certo atraso, entendeu o que estava acontecendo.
— Sr…… Sr. Jardim……
Cristiano Jardim sorriu levemente. A sua mão longa e elegante bateu no ombro dele, e a cada toque, parecia querer quebrar os seus ossos.
— Por que o nervosismo? Você não disse nada de errado.
Os ombros de Sérgio encolheram-se, e ele sentiu como se a garganta estivesse bloqueada. Se não tivesse percebido a situação agora, seria um completo tolo.
— Não, Sr. Jardim, eu disse algo errado, eu disse algo errado! Eu não deveria ter mentido para o senhor……
Cristiano Jardim ergueu uma sobrancelha e, subitamente, apertou o ombro dele com força. O seu sorriso era gélido.
— Ah? Sobre o que você mentiu para mim?
— Ah!
Sérgio começou a gritar de dor, arrependendo-se profundamente de ter mentido para Cristiano Jardim no passado.
De onde ele havia tirado coragem para enganá-lo?!
— Desculpe, Sr. Jardim. Agora direi a verdade, vou contar-lhe tudo o que sei!
Um brilho frio passou pelos olhos de Cristiano Jardim. Ele afrouxou o aperto e ordenou secamente:
— Fale.
Sérgio, pálido, suportando a dor excruciante, respondeu trêmulo:
— Naquela época, não tínhamos a intenção de ficar com ela; afinal, também não tínhamos dinheiro. Assim que ela melhorou, Soraia levou-a à delegacia, esperando que a família dela viesse buscá-la.
— Mas a delegacia não ajudou em nada. Enrolaram, fizeram-nos ir e vir várias vezes, e nós realmente não podíamos arcar com o tempo, já que tínhamos de trabalhar para sustentar a família. Soraia, então, levou-a para nossa casa e parou de ir à delegacia. Fomos esperar uma ligação deles em casa, mas essa ligação nunca veio.
Cristiano Jardim, de repente, perguntou num tom gelado:
— Qual delegacia?
Sérgio estremeceu e logo mencionou o local.
Cristiano Jardim fez sinal a Caio Faria para anotar.
Caio Faria assentiu solenemente; desde o início, ele havia percebido que havia algo errado naquela história.
Renata viajar sozinha para a capital de ônibus, em vez de trem de alta velocidade ou avião, indicava que algo havia acontecido e que era inconveniente usar o seu documento de identidade. Se mais tarde a delegacia também se recusou a resolver a questão, é porque, sem dúvida, recebera ordens de alguém de cima.
O que diabos havia acontecido naqueles anos?!
Depois, Sérgio contou muitas outras coisas, mas eram acontecimentos posteriores, como a escola, o trabalho de meio período, o encontro com Wilson Lopes……
Embora não fossem tão cruciais, Cristiano Jardim ouvia com atenção, com uma intensa dor no peito.
A garota que ele idolatrava até ao fundo da alma passou três anos vivendo tão duramente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir
Acho q uma história dessa merecia um final melhor, mais explicado e com mais detalhes!...