Em segundo lugar, homens de status não trocam de mulher facilmente, especialmente quando já a assumiram em seus círculos sociais.
Em terceiro lugar... talvez ele realmente gostasse um pouco dela.
Especialmente do corpo dela.
Sobre isso, ele era muito franco. Talvez fosse exatamente como dizia o ditado...
O que não se pode ter é o que mais atiça o coração.
Mas agora, Renata parecia não lhe dar mais a mínima atenção.
Com muita frieza, ela estava retirando todo o afeto que tinha por ele.
[Me arrependo de ter ficado com você!]
[Isso, não quero mais! Não quero mais nada!]
[...]
As palavras resolutas dela ainda ecoavam em seus ouvidos.
Wilson deu um trago no cigarro, irritado. Com as sobrancelhas franzidas, ele olhou para a noite fria lá fora e, pela primeira vez, sentiu-se um pouco solitário...
...
Na tarde seguinte.
Renata arrumou suas coisas de forma simples, colocou o que precisava em uma bolsa de lona e saiu para o seu encontro com o Professor Miranda.
Ela achava que, a essa altura, Wilson já teria ido embora.
Afinal, de acordo com o passado, ele nunca tivera tanta paciência com ela por tanto tempo. Além disso, Sabrina ainda estava no hospital, e ele, sentindo tanta pena dela, com certeza não suportaria deixá-la sofrer sozinha.
Mas, para a sua surpresa,
Wilson não havia ido embora. Ele estava sentado no sofá, respondendo a e-mails pelo celular.
O sofá dela era de um lugar só, e acomodava apenas ela perfeitamente.
Mas ele, sendo alto e de pernas longas, não conseguia se esticar ao sentar, parecendo um pouco apertado...
E pelo visto, ele havia dormido ali na noite anterior e passado a manhã inteira trabalhando naquele canto.
Renata ficou momentaneamente atordoada, para logo em seguida franzir a testa.
Ao ouvir o barulho, Wilson também guardou o celular e olhou para ela. Vendo que ela finalmente havia saído, um traço visível de alegria cruzou o seu semblante antes pálido e cansado.
Ele se levantou e se aproximou. A camisa e a calça social que vestia estavam um pouco amassadas por não terem sido trocadas durante a noite, mas isso não o deixava com uma aparência desleixada; pelo contrário, dava-lhe um ar um pouco preguiçoso e muito masculino.
Ele parou na frente dela, o olhar profundo fixo no rosto pálido e liso dela, e a voz saiu rouca.
— Renatinha, você finalmente quis sair...
Soava tão afetuoso, como um homem profundamente apaixonado esperando a namorada voltar.
Mas apenas Renata sabia que não era assim.
Agora, toda vez que ouvia ele falar daquele jeito, ela tinha uma reação automática de profunda repulsa. Ela ergueu a mão contra o peito dele, que se aproximava, e repreendeu:
Ele, ansioso para agarrar essas coisas, mudou de estratégia, apertando a delicada mão que segurava, e disse, com a voz rouca:
— Cem mil por um café, pode ser?
Renata franziu a testa por causa da insistência, tentou se soltar algumas vezes, mas não conseguiu, sentindo-se extremamente incomodada.
Por fim, ela abaixou os ombros, soltou um longo suspiro e olhou para ele, cedendo.
— Eu posso passar, mas com uma condição: você bebe e vai embora na mesma hora!
Ele estava determinado a conseguir algo dela, e, como ela não podia fugir, só lhe restava encontrar o método mais favorável para si mesma.
O que ela não esperava era que Wilson concordasse imediatamente, sem retrucar nem uma palavra.
— Tudo bem.
Renata ficou surpresa.
A mão grande de Wilson ergueu o queixo dela para beijar os seus lábios, com uma respiração ardente, sussurrando como um amante.
— Desde que você fique feliz, qualquer coisa serve.
O coração de Renata deu um pulo, e seu rosto esfriou de imediato.
Ela encostou seus dedos finos e brancos nos lábios finos dele, e disse friamente:
— Wilson, esses cem mil não incluem satisfazer a sua luxúria!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir
Acho q uma história dessa merecia um final melhor, mais explicado e com mais detalhes!...