O rosto de Wilson escureceu.
Ele a encarou, com a mão grande segurando o pulso dela. Seus lábios finos deram beijos leves e irregulares na palma macia de sua mão, e sua voz saiu baixa e rouca.
— Nós precisamos mesmo ficar assim? Vamos conversar direito... hum?
A palma de Renata coçou sob o sopro quente dele, e ela não conseguiu evitar um arrepio.
Ela mordeu levemente o lábio, sem a mínima vontade de flertar com ele, franziu as sobrancelhas e retirou a mão, cerrando os punhos frouxamente ao lado do corpo. Ela se virou e foi para a cozinha, deixando apenas uma frase em voz baixa:
— É exatamente assim que devemos ficar!
As pálpebras de Wilson tremeram. Ele virou a cabeça para vê-la se afastar e, aos poucos, seu rosto assumiu uma expressão gélida.
Logo, Renata saiu com o café pronto.
Ao ver o homem sentado na cadeira da mesa de jantar, com uma expressão de descontentamento...
Que temperamento o desse engomadinho!
Com preguiça de dar atenção, Renata colocou a xícara diretamente sobre a mesa e o lembrou:
— Beba logo, e quando terminar, vá embora!
A expressão de Wilson ficou ainda mais sombria.
Ele afrouxou a gravata com certa força e, após alguns segundos, finalmente pegou a xícara de café para experimentar.
O gosto na boca era amargo e áspero.
Estava claro que não havia sido preparado com dedicação. Além disso, parecia ter gosto de café solúvel.
Ela realmente estava com preguiça até de lidar com ele agora!
Wilson engoliu de cenho franzido, não deu um segundo gole e bateu a xícara de volta na mesa com um estampido, levantando os olhos para encará-la.
— Já que não me ama mais, tem até preguiça de lidar comigo, não é?
Renata estava muito calma, deu de ombros e disse, com frieza:
— Wilson, sei que você está insatisfeito, mas, na verdade, você poderia ficar satisfeito! Vai procurar outra mulher. Acho que a Sabrina seria perfeita.
Wilson a encarou fixamente por dois segundos, e soltou uma risada fria.
A essa altura, ele finalmente tinha entendido. Se ela não podia impedi-lo de incomodá-la, então ela ia simplesmente ignorar a situação. Com isso, cedo ou tarde ele enjoaria, pois, na cabeça dela, ele tinha outras mulheres lá fora, e jamais continuaria batendo de frente com a recusa dela tantas vezes.
Excelente jogada!
Pensando assim, o coração de Renata foi se acalmando. Depois de descer, dirigiu até a casa de chá.
O seu Range Rover preto cruzou com o Bentley estacionado fora do condomínio.
Wilson estava sentado no banco de trás, olhando para a rua à frente, com uma expressão muito pesada.
No assento do motorista, Camilo também notou e, olhando pelo retrovisor, exclamou surpreso:
— Sr. Lopes, aquele carro parece ser da Srta. Rocha.
Wilson lançou-lhe um olhar de esguelha.
— Só você tem olhos aqui?
Camilo calou-se na hora, imaginando que os dois deviam ter brigado novamente, e mudou logo de assunto para o que interessava.
— Sr. Lopes, a Srta. Silveira me ligou esta manhã pedindo a sua ajuda para resolver o problema com a empresa da mãe dela...
Wilson franziu as sobrancelhas e encostou-se no encosto do banco.
O problema na empresa de mãe e filha ele já sabia desde a noite anterior, e também já desconfiava de quem estava por trás disso.
Mas ele não interveio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir
Acho q uma história dessa merecia um final melhor, mais explicado e com mais detalhes!...