— Será que o meu temperamento tem sido bom demais ultimamente? Hum?
Depois, o silêncio falou mais do que as palavras...
...
Duas da manhã, no Hospital Central.
Renata acompanhou Wilson até o hospital para fazer um curativo.
No quarto de luxo, Renata sentava-se quietamente na cadeira de repouso, de cabeça baixa olhando para o celular, com a postura de quem estava por fora da situação.
Enquanto tratava de Wilson, o médico olhou para a ferida que continuava a escorrer sangue carmesim, e sentiu necessidade de fazer um alerta.
— Esse ferimento não é tão profundo, mas não pode ficar sem cuidado! Como é que os familiares podem não tomar conta?
Sua frase não foi nada clara.
Mas, sendo homem, Wilson captou perfeitamente.
Ele olhou com frieza para a mulherzinha, que continuava sentada relaxadamente ali na frente.
Na realidade, no final, eles não haviam chegado aos vias de fato. Sangrando na testa e zonzo, juntado com a briga com ela, ele só queria, mas o corpo não acompanhou.
Ele disse, com desprezo:
— Ela mal pode esperar que eu fique gravemente ferido para correr para os braços de outro homem!
Renata percebeu o recado, mas estava cansada demais para responder.
O médico sentiu-se esmagado no meio e, em uma situação de extremo constrangimento, pensou em como a juventude de hoje busca fortes emoções!
Ele terminou logo de passar o remédio, recomendou alguns cuidados e retirou-se na mesma hora.
Com a saída do médico, só restaram os dois na sala, numa atmosfera densa e pesada.
Sem a menor paciência, Wilson, ao ver a moça entretida com o celular e sem sequer dignar um olhar a ele, rompeu o gelo:
— Vem me servir um copo d’água.
Só então, Renata levantou os olhos.
Ela nem reclamou e, sem responder, guardou o celular, serviu um copo d'água e ofereceu a ele:
— Tenho coisas pra fazer, vou indo.
Wilson pegou o copo de cenho franzido, alertando:
— Estou ferido e a culpa é sua.
Renata comprimiu os lábios, e de maneira curta e grossa, respondeu:
Ela jamais havia encontrado quem ousasse desafiá-la daquele jeito!
Sabrina, rindo do escárnio, achou Renata uma maluca. Renata até seria uma aprendiz do Professor Miranda, mas ao que lhe constava, ela nunca fora condecorada!
Isso significava que, para Sabrina, Renata era irrelevante!
Para ela, desde os dias da faculdade, seu talento era incontestável e seus inúmeros troféus foram merecidos, diante do público.
Sabrina, soltando uma risadinha debochada:
— Tá certo, que comecem os jogos. Eu mal espero para não ver você ser pisoteada depois de amanhã!
Renata percebeu o tom de menosprezo.
Mas ela tinha mais o que fazer do que discutir com ela.
Com pessoas dessa estirpe, a solução estava em ações reais!
Renata deu um passo e saiu.
Sabrina parou, olhou desdenhosa e, rindo amargurada de si, marchou para o quarto de Wilson.
Como ela achava, a fraqueza estava estampada na postura de Renata.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir
Acho q uma história dessa merecia um final melhor, mais explicado e com mais detalhes!...