Sabrina também estava completamente desamparada.
Mas, naquele instante, não querendo ser arrastada para o buraco junto com a outra, ela desviou o olhar friamente.
A funcionária mordeu o lábio com tanta força que os dentes cravaram, e seus ombros começaram a tremer de terror retrospectivo, mas, simultaneamente, outra emoção a impulsionava.
Seus olhos ganharam um brilho avermelhado, e ela abriu a boca para tentar dizer algo...
Renata cerrou levemente os olhos e, de repente, perguntou: — Você parece estar olhando bastante para a Senhorita Silveira. Por quê?
A funcionária prendeu a respiração bruscamente, lançando um olhar aterrorizado para ela.
O rosto de Sabrina empalideceu ainda mais, seu pomo de adão saltando devido ao nervosismo.
— Parece que é verdade mesmo, ela estava olhando para a Senhorita Silveira agora há pouco.
— Será que foi a Senhorita Silveira que a instruiu?
— Meu Deus...
Vozes de desconfiança varreram o salão como uma tempestade.
Sabrina entrou em pânico, mas, quanto mais se desesperava, menos conseguia formular uma frase.
Renata repuxou os cantos da boca.
Foi então que a funcionária de repente gritou: — Fui eu! Fui eu quem quis arruinar o design da Renata! Isso tudo não tem nada a ver com a Sabrina. Eu só estava olhando para ela... tentando incriminá-la para me livrar das suspeitas.
Ao ouvirem isso, os espectadores ao redor inspiraram o ar bruscamente.
Sabrina soltou um suspiro de alívio.
Renata franziu o cenho; apenas ela sabia que tudo aquilo não passava de uma mentira deslavada.
Ela se aproximou da funcionária, questionando-a rispidamente: — Que mentira mais esfarrapada, não acha? Eu não fiz nada contra você. Por que quis destruir o meu trabalho? Qual seria o motivo?
A funcionária ficou momentaneamente sem palavras, mas forçou-se a encará-la: — Porque achei que era injusto!
Renata hesitou por um segundo.
E Sabrina, a fim de se vingar de Renata, deve ter dito à garota cuja vaga foi roubada que foi Renata quem o fizera, incitando a irmã da garota, no caso a funcionária, a se vingar por ela.
Um calafrio sombrio percorreu a espinha de Renata. Ela lançou um olhar gelado para Sabrina, que apenas repuxou os cantos da boca, como se nada a tivesse abalado, como se dissesse: "Você não vai conseguir me derrubar!"
A funcionária estava visivelmente descontrolada. Por sorte, ela não tinha um microfone, então o público na plateia não conseguiu ouvir suas palavras; caso contrário, a reputação da organização teria ido pelo ralo.
Os outros competidores por perto olhavam a cena com emoções complexas. Todos eles pertenciam a círculos sociais da elite, e roubar oportunidades dos outros era, na verdade, algo muito comum para eles; nenhum ali ousaria dizer que tinha as mãos completamente limpas.
Mas naquele momento, a cena gerou uma angústia palpável. Afinal, a dor no pranto daquela mulher... era triste demais!
O apresentador sentiu pena, mas em prol do andamento do concurso, pediu que os seguranças a removessem do palco.
Depois, dirigiu-se ao público com um sorriso, explicando: — Pedimos desculpas, tivemos um pequeno imprevisto há pouco, duas pessoas caíram no chão. Mas o programa continua!
— Os jurados já chegaram a um veredicto sobre a pontuação. A seguir, Anna Valente anunciará o primeiro lugar desta edição do concurso!
A plateia não suspeitou de nada e respondeu com comemorações entusiasmadas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir
Acho q uma história dessa merecia um final melhor, mais explicado e com mais detalhes!...