O coração de Renata estava pesado. Ela acompanhou a funcionária sendo arrastada para fora do palco e demorou um tempo para desviar os olhos...
Em contraste, Sabrina parecia não se importar nem um pouco. Sua mente estava completamente fixada no resultado da competição, e seus dedos se fechavam nervosamente.
Anna Valente pegou o microfone, varreu os presentes com os olhos e anunciou: — O primeiro lugar do Grande Prêmio Nacional de Design deste ano é...
— Sabrina Silveira!
As sílabas cortaram o ar como um trovão caindo no chão.
Como um estrondo repentino de trovão,
Renata ficou paralisada.
Sabrina também hesitou por um segundo, incapaz de acreditar, pensando ter ouvido errado. Mas quando raciocinou, soltou uma gargalhada de pura alegria, quase derramando lágrimas de excitação.
Ela cobriu o rosto para se recompor. Não resistiu e lançou um olhar de canto para Renata, vendo seu rosto pálido; a sensação de vitória tornou-se ainda mais saborosa, tirando um enorme peso de suas costas!
— Ha! Renata, você viu só? Que importa se você tem uma capacidade absurda para desenhar joias? Você ainda não consegue o primeiro lugar no fim das contas!
— Sabe por quê?
Sabrina soltou um sorriso carregado de segundas intenções. Seu olhar exalava um triunfo quase tangível.
Como uma agulha pontiaguda,
Aquilo perfurou as entranhas de Renata.
A memória daquela cena, pouco antes da competição, onde Wilson Lopes e Sabrina discutiam algo na parte de fora do salão com a equipe da organização...
...fez a garganta de Renata se fechar.
A essa altura do campeonato, não perceber o que estava acontecendo seria pura idiotice —
Fora Wilson Lopes quem contatou os organizadores e garantiu a nota altíssima de Sabrina!
Num estalo, uma avalanche de dor caiu sobre seus ombros, violenta, esmagadora, sufocando seu peito de tal forma que lhe faltava ar.
Renata fechou os olhos abruptamente. O canto dos olhos ardia violentamente, envolto em lágrimas grossas e quentes.
Fúria, tristeza, ressentimento.
Como ele podia ter feito aquilo?!
A voz de Sabrina prosseguiu, apunhalando-a pelas costas: — Por mais capacitada que você seja, nada se iguala a uma única palavra que o Wilson disse à comissão por mim!
— Agora, eu vou buscar o meu troféu! Isso mesmo. Daqui a pouco, vou procurar a Anna Valente para discutir o estágio no Ateliê Alva!
Renata ouvia tudo com o rosto ainda mais lívido, e o corpo quase tensionado a um fio.
Sabrina soltou uma gargalhada e, diante do anúncio do apresentador, foi buscar sua taça.
E Renata, pelo contrário, não via a hora de ir embora dali!
— Renatinha... — Ele murmurou, com a voz embargada.
Com imensa ternura.
Como se falasse com o coração nas mãos.
Como se estivesse tocando o mais delicado dos cristais.
Mas Renata sentiu apenas um arrepio espalhando frio por cada pedaço de seu corpo.
Estava esgotada de toda aquela hipocrisia!
De um lado, sabotou sua vitória para favorecer Sabrina.
Do outro, fingia romance com ela.
Renata sequer quis respondê-lo; a única vontade que a possuía era sumir e nunca mais olhar no seu rosto.
De cabeça baixa, desceu o último degrau, empurrando o ombro dele enquanto passava.
Wilson percebeu a vermelhidão em seus olhos e interveio em seu caminho. Renata se debateu ferozmente, mas ele segurou seus ombros, prendendo a moça contra a parede atrás. Inclinou-se próximo ao seu ouvido, a voz num tom ainda mais sussurrado: — Renatinha, eu...
PÁ!
Renata, com a mão em prantos, soltou um tapa estrondoso no rosto de Wilson.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir
Acho q uma história dessa merecia um final melhor, mais explicado e com mais detalhes!...