Ele estava garantindo toda a dignidade que Renata merecia.
Exigir um pedido de desculpas público não era nada fácil; os organizadores com certeza passariam por um inferno depois daquilo.
Num instante, os executivos começaram a suar frio. Estavam aterrorizados e amargamente arrependidos de terem manipulado a nota de Renata.
Sabrina ouviu tudo, e uma tristeza amarga inundou seu coração.
Ela piscou, afastando as lágrimas, e olhou para o belo homem que caminhava em sua direção, sentindo uma vontade quase incontrolável de lhe perguntar:
Ao obrigar a organização a pedir desculpas públicas a Renata, ele havia pensado na situação dela? Ela já estava afogada no tribunal da opinião pública. Quando a declaração saísse, ela seria crucificada de vez no pilar da vergonha.
Contudo, no fim, segurou-se e não perguntou.
Pois seria humilhante demais!
Wilson parou a cerca de um metro de distância dela, fechou a porta e perguntou com frieza: — O que foi?
Sabrina fitou o espaço que os separava, com um nó formando-se em sua garganta. Antigamente, ele nunca se afastava dela. Agora, por causa de Renata, até fisicamente mantinha distância.
Vendo que ela permanecia calada, Wilson olhou as horas e franziu o cenho. — Se não há nada, vou indo. Tenho coisas a resolver.
Iria atrás de Renata?
O coração de Sabrina foi rasgado novamente.
Segurando o choro, antes que ele pudesse dar um passo, correu e o abraçou pela cintura magra, colando o rosto em suas costas, aos prantos.
— Wilson, você não me quer mais...? Você não me quer? Você disse que me amaria para o resto da vida!
Ele paralisou por um instante, o sobrolho franzido. Levou as mãos grandes aos braços dela para soltá-la e falou com frieza: — Você está alterada. Conversaremos depois!
— Eu não estou alterada, quem está errado é você! Você quebrou sua promessa!
Wilson silenciou por um momento, tentando soar o mais brando possível.
— Sabrina, isso que você acabou de dizer, eu nunca falei. Eu só disse que no futuro cuidaria bem de você, não que te amaria para o resto da vida.
Ela calou-se por um segundo e, teimosamente, o abraçou com mais força. — É a mesma coisa.
— Não é!
Wilson virou-se para encará-la.
Sabrina retribuiu o olhar, com o rostinho pálido e os olhos vermelhos.
Ao vê-la daquele estado, ele lembrou-se repentinamente daquela menininha de anos atrás.
No fundo, ainda não tinha a coragem de ser totalmente impiedoso.
Suspirou levemente, tirou um lenço do bolso, entregou-a e disse: — Durante estes anos, eu também errei. Não deixei claro o que sentia por você, o que fez com que você continuasse se enganando... Sinto muito.
— Não aja mais assim.
Aquela frase aparentemente leve atingiu Sabrina como um raio, deixando-a atordoada por um bom tempo.
De repente, ela perdeu o controle.
Bateu na mão que lhe oferecia o lenço com força. Seus olhos vermelhos o fitavam com profunda mágoa e ressentimento. — Wilson Lopes! Você tem ideia do que está falando?
— Como você pode não me amar? Fui eu quem salvou você anos atrás!
— Como você pode não me amar!
Ele estava apenas acostumado com ela, ou, quem sabe, a convivência diária o fez nutrir certo carinho.
Mas isso não era amor!
E ele não precisava de amor!
Na sociedade de hoje, falar de amor soava muito falso. Interesses, valor emocional e atração sexual eram as únicas verdades.
Ele olhou para o próprio reflexo no vidro da porta espelhada, ajustou a gravata, virou levemente o rosto e disse em tom indiferente: — Não amo.
E partiu.
Atrás dele, Sabrina, desnorteada, cambaleou e encostou-se à parede. Ergueu a cabeça, olhando para o teto de forma vagabunda, enquanto a frase ecoava em sua mente:
"Não amo!"
Ah... se amava ou não, nem ele mesmo devia saber a diferença!
Sabrina soltou uma risada ausente e, rindo, as lágrimas começaram a cair de novo, impossíveis de conter.
Lembrou-se de todas as vezes que ele fora bom para ela.
Naquela época, ele era tão gentil.
Como tudo pôde mudar de uma hora para outra?
Realmente implacável.
De repente, uma mão grande e esbelta lhe estendeu um lenço, e uma voz masculina, profunda e agradável, soou ao seu lado: — Pare de chorar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir
Acho q uma história dessa merecia um final melhor, mais explicado e com mais detalhes!...