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Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir romance Capítulo 304

No hospital.

Quando Wilson e Renata chegaram, Dona Letícia fez questão de ir até eles para avisar:

— Eu não quero saber se vocês estão brigados ou não, mas na hora de entrar no quarto, as aparências precisam ser mantidas!

Dito isso, ela lançou um olhar de esguelha para Renata.

Renata sabia muito bem que a frase tinha sido direcionada principalmente a ela. Manteve os lábios apertados, contendo a raiva sem explodir.

Wilson olhou para a mãe, os olhos carregados de uma sombra obscura.

Dona Letícia virou o rosto, ignorando-o:

— Certo, entrem logo!

Renata respirou fundo e seguiu-a.

No quarto de alto padrão.

Algumas das senhoras e executivos já estavam sentados nos sofás da antessala, entristecidos com o estado da idosa. Ao vê-los entrar, suspiraram:

— Vocês chegaram, venham sentar aqui.

Wilson assentiu. Puxou a mão de Renata por iniciativa própria e os dois se sentaram. Começou a conversar com os convidados, mas, durante todo o tempo, não soltou a mão dela.

Renata mordeu levemente o lábio.

Fazia mesmo sentido encenar até aquele ponto?

A Sra. Li encheu duas xícaras de chá e, notando aquele chamego, comentou com emoção:

— Vocês estão juntos há três anos, se dão tão bem, deviam logo casar! Para dar uma alegria à Dona Adelaide. Quem sabe a saúde dela não melhora com isso?

— É verdade, Wilson já tem vinte e oito, já não é mais um garoto.

Todos concordaram com a ideia.

Desconfortável, Renata ouvia tudo a contragosto. Lançou um olhar para Wilson, implorando em silêncio para que ele desse um jeito de desconversar.

Mas o homem, em vez disso, acariciou a mão dela e disse:

— Pode ser!

Os olhos de Renata se arregalaram, atordoados.

Ele tinha noção do que estava falando?

Depois de um tempo, o médico entrou, checou os sinais vitais da idosa e informou que, dado o quadro, ela demoraria bastante para despertar.

Sendo assim, as visitas não quiseram se estender mais. Com obrigações em casa e no trabalho, combinaram de retornar quando ela acordasse.

Dona Letícia levantou-se para acompanhá-los até a porta. Antes de sair, lançou um olhar de advertência ao filho.

Aquilo que ele havia dito instantes antes, ela logo decifrou como apenas uma desculpa esfarrapada para os convidados.

Mas e se Renata levasse a sério, passasse a se agarrar a ele e se recusasse a ir embora? O que fariam?

Ele precisava colocar os pingos nos is e não deixar que ela ficasse cultivando esperanças.

A expressão de Wilson permanecia vazia.

Em pouco tempo, só sobraram os dois no quarto.

Assim que a porta fechou.

Renata sacudiu a mão para se livrar do contato de Wilson.

Puxou um lenço da caixa sobre a mesa para limpar as mãos e, em tom seco, disse:

— O que você acabou de dizer com certeza vai se espalhar e causar mal-entendidos. Não me importa, se vire para resolver isso.

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