— Renata, nós também tivemos momentos bons, não tivemos? Um tempo atrás, fomos tão felizes...
De repente, Renata sentiu os olhos arderem.
Mas foi algo que passou num instante.
Ela não queria mais ser enganada por ele.
Ela estava prestes a dizer alguma coisa...
Quando o toque de um celular soou de repente.
Era o celular de Wilson.
Wilson franziu as sobrancelhas.
Renata deu uma cotovelada nele, apressando-o:
— Atende logo esse telefone...
Wilson olhou para ela, sabendo que ela só queria uma brecha para escapar. Mantendo o braço direito firme em volta da cintura da jovem, usou a outra mão para tirar o celular do bolso e atender. Ele disse um alô, mas o olhar não saía dela.
Irritada, Renata começou a arranhar e puxar o braço dele.
Wilson cerrou o cenho de leve, mas não afrouxou o aperto do braço nem um milímetro.
Do outro lado da linha, era Dona Letícia.
O tom dela estava um pouco ansioso:
— Onde você está agora? Está ocupado na empresa?
Achando que ela ia pressioná-lo a voltar para a casa principal para um encontro arranjado com Sofia Santos, Wilson fechou a expressão.
— Tenho compromisso, não vou voltar no almoço. Daqui a pouco eu explico a situação ao Diretor Santos.
— Não é isso!
Dona Letícia o interrompeu apressadamente:
— Não se trata do encontro com a Sofia. A sua avó acaba de ser internada com um infarto. A situação é muito grave, pode ser que ela não resista. Venha para o hospital imediatamente!
Wilson assumiu uma postura séria:
— O quê? Como isso aconteceu?
Renata também paralisou.
Ela parou de se debater e, com o rosto pálido, olhou para o celular, com os olhos cheios de incredulidade...
A própria Dona Letícia também queria entender o que estava acontecendo.
Se ela soubesse que a velha sofreria um infarto e seria internada naquele dia, com certeza teria adiado o almoço entre ele e Sofia e antecipado em alguns dias o plano para afastar Renata!
Agora, ótimo.
O encontro não pôde acontecer.

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