Wilson concluiu as demandas pelo celular.
Continuou encarando aquela foto, com um olhar profundo e prolongado, até que finalmente tocou na tela para salvá-la.
Na verdade, a galeria de fotos do seu celular era quase vazia, especialmente no que se referia a retratos de pessoas. As raras fotos que guardava... eram todas de Renata.
Ele pensou consigo mesmo que, talvez, isso fosse apenas a natureza implacável dos homens.
Quando queriam algo, precisavam possuir, agarrar com força e esconder só para si.
Wilson puxou os cantos dos lábios num pequeno sorriso.
Foi nesse instante que Camilo bateu na porta e entrou, trazendo uma pasta de documentos.
— Sr. Lopes, estes são os projetos recentes que exigem sua aprovação. Dê uma olhada. Não há pressa, pode analisar com calma. Quando terminar, me envie uma mensagem e eu venho buscar.
Wilson assentiu, agradeceu o trabalho e pegou a pasta para examinar.
Com a tarefa cumprida, Camilo se preparou para sair.
Mas Wilson, subitamente, o chamou:
— Espere.
Camilo voltou-se rapidamente: — Sr. Lopes, precisa de mais alguma coisa?
Wilson fechou o documento devagar e perguntou:
— Se bem me lembro, sob o guarda-chuva do Grupo Lopes, há uma empresa focada em design, correto?
— Sim, com certeza. O que o senhor deseja?
— Quando sair, entre em contato com o gerente de projetos de lá e pergunte se há algum trabalho de personalização privada em andamento. Se houver, separe para mim.
Personalização privada?
Camilo travou por um instante.
Mas logo depois a ficha caiu: o chefe estava arquitetando isso para reconquistar Renata, ajudando-a profissionalmente para que pudesse treinar antes de ingressar no novo estúdio.
Ele precisava admitir, o chefe tinha pensado em absolutamente tudo!
O próprio Wilson mal devia perceber o nível imenso de dedicação que estava empenhando por causa de uma única pessoa, não é?
— Entendido. Amanhã mesmo farei contato com o gerente da empresa e, assim que eu tiver novidades, informarei ao senhor em primeira mão.
— Bom trabalho.
Wilson assentiu com sua típica postura reservada.
...
No dia seguinte.
Renata tomou o café da manhã após acordar, arrumou-se rapidamente e foi ao hospital visitar a velha senhora.
No caminho, enquanto passava pelo parque do condomínio, fez questão de ir até o local onde havia alimentado a gata branca, na esperança de dar sorte e achar os filhotes, mas acabou não encontrando nada.
Só lhe restou esperar a volta para tentar novamente.
...
No hospital.
Caminhando pelos corredores, Renata soltou um suspiro frustrado ao pensar na situação em que se encontrava com Wilson Lopes.
Ela realmente não tinha o menor interesse em fingir romance ao lado dele!
Para o seu alívio, ao chegar ao quarto, a enfermeira avisou que Wilson havia saído para resolver assuntos de negócios e só retornaria à noite.
Renata soltou um longo suspiro de alívio.
— Vovó, eu não posso aceitar isso de jeito nenhum.
— Ah, para de cerimônia! Se eu estou mandando, você pega e pronto! Eu já estou com o pé na cova, vai saber o dia de amanhã. Eu só quero deixar essas coisas para você; além de você, não quero dar isso a mais ninguém.
A idosa estava inabalável em sua decisão.
Incapaz de dobrá-la, Renata cedeu após um momento de hesitação, guardando a caixa com a intenção de devolvê-la a Wilson posteriormente.
Ela não era mais nenhuma menina ingênua; entendia perfeitamente o propósito por trás daquela atitude.
A velha queria forçar a reconciliação entre ela e Wilson Lopes.
Como não podia ser grosseira cara a cara, a única saída seria entregar tudo para que Wilson resolvesse depois.
Com tudo que estava acontecendo entre eles agora, como poderiam voltar às boas?
Renata passou a manhã inteira ali fazendo companhia. Pretendia ir embora ao meio-dia, mas diante do entusiasmo implacável da idosa, acabou cedendo e ficando até o início da noite.
Antes da despedida, notando que Wilson ainda não tinha aparecido, a velha senhora resmungou, irritada:
— Mas que absurdo esse Wilson! Com o frio que está fazendo lá fora, ele nem sequer vem para te levar para casa!
Não era ele que dizia estar correndo atrás dela? Que atitude era aquela de deixar a moça sozinha ao relento?
Renata, porém, não se abalou. Observando pela janela os flocos de neve que caíam espalhados, manteve-se indiferente.
Depois daqueles anos todos, ela já estava mais do que habituada ao tratamento frio dele.
— Não tem problema, vovó. Eu chamo um carro e volto rapidinho, não é tão longe.
Renata a consolou com algumas palavras e partiu.
...
Devido ao trânsito na volta, quando finalmente chegou ao condomínio, já passava das sete da noite.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir
Acho q uma história dessa merecia um final melhor, mais explicado e com mais detalhes!...