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Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir romance Capítulo 310

Wilson concluiu as demandas pelo celular.

Continuou encarando aquela foto, com um olhar profundo e prolongado, até que finalmente tocou na tela para salvá-la.

Na verdade, a galeria de fotos do seu celular era quase vazia, especialmente no que se referia a retratos de pessoas. As raras fotos que guardava... eram todas de Renata.

Ele pensou consigo mesmo que, talvez, isso fosse apenas a natureza implacável dos homens.

Quando queriam algo, precisavam possuir, agarrar com força e esconder só para si.

Wilson puxou os cantos dos lábios num pequeno sorriso.

Foi nesse instante que Camilo bateu na porta e entrou, trazendo uma pasta de documentos.

— Sr. Lopes, estes são os projetos recentes que exigem sua aprovação. Dê uma olhada. Não há pressa, pode analisar com calma. Quando terminar, me envie uma mensagem e eu venho buscar.

Wilson assentiu, agradeceu o trabalho e pegou a pasta para examinar.

Com a tarefa cumprida, Camilo se preparou para sair.

Mas Wilson, subitamente, o chamou:

— Espere.

Camilo voltou-se rapidamente: — Sr. Lopes, precisa de mais alguma coisa?

Wilson fechou o documento devagar e perguntou:

— Se bem me lembro, sob o guarda-chuva do Grupo Lopes, há uma empresa focada em design, correto?

— Sim, com certeza. O que o senhor deseja?

— Quando sair, entre em contato com o gerente de projetos de lá e pergunte se há algum trabalho de personalização privada em andamento. Se houver, separe para mim.

Personalização privada?

Camilo travou por um instante.

Mas logo depois a ficha caiu: o chefe estava arquitetando isso para reconquistar Renata, ajudando-a profissionalmente para que pudesse treinar antes de ingressar no novo estúdio.

Ele precisava admitir, o chefe tinha pensado em absolutamente tudo!

O próprio Wilson mal devia perceber o nível imenso de dedicação que estava empenhando por causa de uma única pessoa, não é?

— Entendido. Amanhã mesmo farei contato com o gerente da empresa e, assim que eu tiver novidades, informarei ao senhor em primeira mão.

— Bom trabalho.

Wilson assentiu com sua típica postura reservada.

...

No dia seguinte.

Renata tomou o café da manhã após acordar, arrumou-se rapidamente e foi ao hospital visitar a velha senhora.

No caminho, enquanto passava pelo parque do condomínio, fez questão de ir até o local onde havia alimentado a gata branca, na esperança de dar sorte e achar os filhotes, mas acabou não encontrando nada.

Só lhe restou esperar a volta para tentar novamente.

...

No hospital.

Caminhando pelos corredores, Renata soltou um suspiro frustrado ao pensar na situação em que se encontrava com Wilson Lopes.

Ela realmente não tinha o menor interesse em fingir romance ao lado dele!

Para o seu alívio, ao chegar ao quarto, a enfermeira avisou que Wilson havia saído para resolver assuntos de negócios e só retornaria à noite.

Renata soltou um longo suspiro de alívio.

— Vovó, eu não posso aceitar isso de jeito nenhum.

— Ah, para de cerimônia! Se eu estou mandando, você pega e pronto! Eu já estou com o pé na cova, vai saber o dia de amanhã. Eu só quero deixar essas coisas para você; além de você, não quero dar isso a mais ninguém.

A idosa estava inabalável em sua decisão.

Incapaz de dobrá-la, Renata cedeu após um momento de hesitação, guardando a caixa com a intenção de devolvê-la a Wilson posteriormente.

Ela não era mais nenhuma menina ingênua; entendia perfeitamente o propósito por trás daquela atitude.

A velha queria forçar a reconciliação entre ela e Wilson Lopes.

Como não podia ser grosseira cara a cara, a única saída seria entregar tudo para que Wilson resolvesse depois.

Com tudo que estava acontecendo entre eles agora, como poderiam voltar às boas?

Renata passou a manhã inteira ali fazendo companhia. Pretendia ir embora ao meio-dia, mas diante do entusiasmo implacável da idosa, acabou cedendo e ficando até o início da noite.

Antes da despedida, notando que Wilson ainda não tinha aparecido, a velha senhora resmungou, irritada:

— Mas que absurdo esse Wilson! Com o frio que está fazendo lá fora, ele nem sequer vem para te levar para casa!

Não era ele que dizia estar correndo atrás dela? Que atitude era aquela de deixar a moça sozinha ao relento?

Renata, porém, não se abalou. Observando pela janela os flocos de neve que caíam espalhados, manteve-se indiferente.

Depois daqueles anos todos, ela já estava mais do que habituada ao tratamento frio dele.

— Não tem problema, vovó. Eu chamo um carro e volto rapidinho, não é tão longe.

Renata a consolou com algumas palavras e partiu.

...

Devido ao trânsito na volta, quando finalmente chegou ao condomínio, já passava das sete da noite.

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