Entrar Via

Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir romance Capítulo 311

Mesmo assim, ela ligou a lanterna e foi até o parque procurar os gatos. Como não os encontrou, subiu para casa.

Ao entrar, preocupada com os filhotes, trocou os sapatos enquanto refletia sobre a situação.

Nesse exato momento,

um som de arranhões surgiu de repente na porta atrás dela. Prestando atenção, parecia haver também o miado de um gatinho.

Renata piscou, surpresa, e virou-se desconfiada para abrir a porta e verificar.

Assim que abriu, viu um gatinho branco, bem pequeno. Assustado com a estranha, mantinha os grandes olhos azuis escancarados, olhando-a desamparado enquanto miava. Era adorável.

— Ah, quem deixou você aqui?

O coração de Renata derreteu. Ela olhou ao redor, mas, como não viu ninguém, abaixou-se e o pegou nos braços. Ao acariciar a cabecinha dele, acabou notando acidentalmente uma corrente em seu pescoço.

Era uma corrente com uma safira, muito delicada e que claramente custava uma fortuna.

O olhar de Renata travou. Ela começou a desconfiar de algo e voltou a observar o gatinho miando em seus braços. Olhando de perto, o pequeno se parecia muito com a gata branca de rua do parque.

De imediato, aquela suspeita tornou-se mais clara em sua mente.

O gatinho não poderia ter chegado à sua casa sozinho. Alguém precisava tê-lo trazido.

Mas quem?

Os olhos de Renata escureceram. Ela acariciou a cabeça do felino e desceu as escadas.

Como esperado, assim que passou pela porta principal, viu o homem encostado na carroceria de um Maybach a poucos passos dali.

Wilson vestia um sobretudo preto que realçava sua postura ereta. Naquela noite fria, ele parecia distante, mas extremamente nobre.

Ele também a encarava. Seus olhos, escuros como tinta, carregavam um traço de ternura incrivelmente cativante.

Era como se soubesse que ela desceria com certeza, por isso estava lá esperando.

Renata franziu a testa. Ela não gostava daquela insistência.

Ela se aproximou segurando o animal e, por mais que tivesse adorado o bichinho, entregou-o de volta ao homem.

— Fique com o gato. Já que você os salvou, então cuide bem deles. Não venha trazê-los para mim, nós já terminamos!

Ela não queria perguntar como ele descobriu que andava cuidando daqueles gatos. Talvez a tivesse seguido em algum dia e acabou vendo.

Não seria a primeira vez que ele usava esses métodos de perseguição.

Mas, no fundo, ficou bastante surpresa. Nunca imaginou que ele estaria disposto a gastar tempo procurando aqueles filhotes para ela.

Isso sim era novidade!

O coração de Renata apertou com amargura. Ela cortou os próprios pensamentos rapidamente, sem querer se aprofundar naquilo, e virou as costas para ir embora.

Vendo a atitude dela, Wilson, que segurava o gatinho com a mão direita, usou a esquerda para puxar levemente o pulso de Renata, atraindo-a para seus braços com uma mistura de gentileza e força.

Ele observou as feições distantes e gélidas da mulher com um olhar profundo.

— Lembro que você sempre gostou de gatos, antigamente vivia alimentando os animais de rua — disse ele, sem responder diretamente à sua fala.

Ao ouvir sobre o passado,

— Já é tarde! Volte para casa. De agora em diante, exceto para ver a avó, não vamos mais nos encontrar. Quanto aos filhotes, e também àquela gata adulta... cuide bem deles — disse Renata, dando um passo para trás em um gesto de bloqueio.

Depois de falar, Renata virou-se e correu em direção à porta principal.

Atrás dela, o homem e o gatinho a observavam, com os olhares transbordando ansiedade.

Até que a figura dela desapareceu,

o gatinho ergueu a cabeça e miou várias vezes para o homem.

Wilson baixou o olhar e acariciou a cabeça do filhote. Antes disso, ele não gostava daquelas pequenas criaturas, mas agora, achava que não eram tão ruins assim.

O bichinho se parecia muito com ela.

Quando era obediente, tornava-se uma bola macia e dócil.

— Vocês já a conhecem, não é? Estão com saudades dela? — murmurou ele, com a voz um tanto rouca, enquanto coçava o queixo do bichano.

O gatinho soltou mais um miado.

Os olhos de Wilson escureceram enquanto ele voltava a encarar a porta principal.

O vento frio soprava suavemente em seu rosto.

Talvez fosse pela solidão da noite.

Naquele momento, ele também sentia muita saudade dela!

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir