Quando chegou à casa de sua irmã, já era quase meio-dia.
Renata comprou alguns suplementos e frutas no supermercado lá embaixo e depois subiu para bater à porta.
Samuel abriu a porta para ela. Ao ver de quem se tratava, um sorriso surpreso e alegre iluminou o seu rosto: — Tia Renata!
Logo em seguida, ele gritou em direção à cozinha para Soraia Rocha: — Mamãe, a tia Renata chegou!
Soraia largou os legumes, saiu da cozinha e expressou a mesma felicidade: — Renatinha, você veio! Sente-se depressa.
A família esbanjava um clima descontraído e afetuoso,
o que fez o humor sombrio de Renata melhorar consideravelmente.
Ela respondeu com um aceno de cabeça e pousou as compras no chão. Em seguida, debruçou-se para apertar levemente as bochechas de Samuel. Porém, na exata hora em que pretendia brincar com o garoto, ficou pasma ao observar os seus lábios ligeiramente pálidos.
— Samuel, você está um pouco pálido. Está se sentindo mal? Conta para a tia.
Perguntou, preocupada.
O garoto sofria de problemas cardíacos. Ele já havia passado por uma cirurgia no coração quando era menor e, em breve, teria de enfrentar outra intervenção. Qualquer contratempo, por menor que fosse, não podia ser tolerado.
De olhos arregalados, Samuel respondeu obedientemente: — Estou bem. É só porque esfriou muito nos últimos dias e eu peguei um pequeno resfriado, mas já estou melhorando.
Resfriado?
Renata arqueou as sobrancelhas, incapaz de acalmar sua ansiedade.
Se fosse um simples resfriado, a aparência dele não estaria tão frágil. A sua feição demonstrava que algo estava fundamentalmente errado.
Renata afagou a cabeça do garoto e aconselhou em tom terno: — Descanse um pouquinho. Depois do almoço, a tia vai levar você ao hospital para fazer alguns exames.
Um turbilhão de emoções cruzou a face de Samuel, que, enfim, abaixou a cabeça e murmurou: — Está bem...
Satisfeita, Renata assentiu e foi à cozinha ajudar a irmã, exatamente no momento em que planejava comentar sobre a situação do garoto.
Foi quando a voz embriagada de Sérgio Viana soou do quarto, carregada de um terror incompreensível: — Não me sigam! Eu não mexi com vocês, parem de me perseguir! Fiquem longe!
— Bebida, eu preciso beber... Soraia, traga uma garrafa para mim!
— ...
No mesmo instante, Renata uniu as sobrancelhas e virou o rosto na direção da voz.
Antes de ir para lá, pensava que Sérgio Viana tivesse ido trabalhar, mas estava claro que ele não tinha feito isso. Pelo visto... ele devia ter passado os últimos dias enfurnado em casa.
O que estava acontecendo?
Soraia, que estava cortando vegetais, xingou irritada ao ouvir aquilo, mas acabou mandando Samuel levar a bebida, sabendo que, de outra forma, o marido causaria ainda mais confusão.
Depois disso, ao se deparar com o olhar cheio de dúvidas de Renata, ela fez uma pausa antes de explicar com um suspiro:
— Seu cunhado anda esquisito esses dias, não vai trabalhar, fica trancado no quarto bebendo sozinho. Quando termina de beber, dá piti de bêbado, dizendo que alguém está seguindo ele ou algo assim... Ai, eu já não sei mais o que fazer.
Renata continuava de sobrancelhas franzidas, achando tudo aquilo bizarro.
Soraia agitou a mão e falou: — Deixa para lá, nem vamos falar dele. Aposto que arrumou mais dívida de jogo e agora estão cobrando.
A testa de Renata vincou-se ainda mais.
Mas parando para pensar, Sérgio Viana só ficava daquele jeito quando devia dinheiro. Ele adorava apostar e já tinha sido alvo de cobradores várias vezes antes.
Ela não conseguiu se conter: — Irmã, divorcie-se dele! Um homem assim não te merece, ele só vai continuar atrasando a sua vida.
Um traço de tristeza passou pelo rosto de Soraia, que ficou calada por um momento antes de abaixar a cabeça e continuar a cortar os legumes, dizendo:
— Já aguentamos vinte anos disso, deixa para lá. Pronto, chega desse assunto, vamos falar de você. Como têm sido as coisas? O que tem feito depois que a competição terminou? Como está a relação com o Wilson?
Renata olhou para ela frustrada; todas as vezes que tocava no assunto do divórcio, a irmã fugia.
Por mais que estivesse chateada, Renata sabia que para mudar a cabeça da irmã seria preciso tempo.
Ela suspirou, aproximou-se para ajudá-la nos preparativos e comentou: — Estou planejando aceitar alguns trabalhos sob encomenda para ganhar experiência. Quanto ao Wilson...

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