— Com calor, é?
Só então a senhora se deu por vencida.
Renata soltou um suspiro de alívio.
Naquele exato momento, um gatinho branco saiu rastejando de debaixo do sofá e usou as garras para agarrar a barra da calça dela. Aquela aparência curiosa era extremamente fofa.
Era exatamente o gatinho branco da noite passada.
Os olhos de Renata brilharam e seu coração derreteu.
Ao presenciar a cena, a senhora riu e comentou: — Foi o Wilson quem trouxe esse filhote. É algo muito raro. Alguém que costumava franzir a testa só de ver um bichinho agora resolveu criar gatos.
Renata não conseguiu evitar e levantou os olhos para olhar para Wilson.
Ele deu um sorriso e andou em sua direção. Inclinou-se, recolheu o filhote do chão e o colocou nos braços da mulher, acariciando o bichano enquanto mantinha os olhos nela. E disse:
— Este gatinho é muito apegado. Fiquei com medo de que ele adoecesse se ficasse sozinho em casa por muito tempo, então tento trazê-lo comigo sempre que possível.
A respiração de Renata falhou ligeiramente, pega de surpresa e afetada pelo ardor que emanava do olhar dele.
Ela já não era mais uma garotinha ingênua. Entendia perfeitamente o significado oculto daquelas palavras.
Ele estava falando do gatinho, mas, na verdade, referia-se a ela.
Ele queria compensar os próprios erros, queria trazê-la de volta para o seu lado, queria cuidar dela com todo o afeto!
Mas ela não queria.
Sufocando o desconforto no peito, Renata baixou o olhar para fugir daqueles olhos e colocou o bichinho que estava em seus braços no chão.
Aquele gatinho era de fato muito apegado. Tinha se aninhado nela, sem qualquer sinal de medo, rolando e fazendo charme para conquistá-la.
Ela realmente adorava o filhote!
Mas também precisava se desapegar.
Com os lábios tremendo, ela disse: — Wilson, eu só quero ficar sozinha no momento. Pare de tentar me reconquistar, não há mais nenhuma possibilidade entre nós...
Wilson a encarou. O seu olhar era profundo e carregava toda a obsessão e o senso de posse de um homem.
Ele se controlou para não dizer nada, levantou-se e buscou um milkshake de frutas e uma sobremesa na mesa de centro, oferecendo-lhe: — Ouvi dizer que vocês, meninas, adoram isso. Experimente!
A velha senhora entrou na conversa: — Renatinha, dessa vez esse moleque amadureceu mesmo. Quando soube que você vinha, ele desceu de propósito para comprar isso para você. Não faça cerimônia, prove um pouco.
Depois de falar, ela teve o bom senso de sair, deixando os dois a sós.
Renata ficou bastante surpresa.
Aquelas coisas, afinal, tinham sido compradas por Wilson.
Era difícil imaginar um homem tão orgulhoso enfrentando filas para lhe comprar um milkshake de frutas e um pedaço de bolo.
Após hesitar um pouco, ela aceitou a bebida...
O filhote sentiu o cheiro doce, miou e, agarrando a perna da calça dela, subiu em seu colo, esticando as patinhas na tentativa de alcançar a sobremesa. Ele também queria provar.
Assustada, Renata o segurou por instinto para não deixá-lo cair, mas o gatinho resistiu, pisoteando a sua mão enquanto miava sem parar.
Ela acabou rindo. Contudo, aos poucos, o riso deu lugar a uma sensação melancólica no coração.
— Renatinha... — Wilson levantou-se logo em seguida, segurando-lhe o braço na tentativa de mantê-la ali.
Renata se desvencilhou dele, fugindo como se a vida dependesse daquilo.
Com um leve franzir de cenho, Wilson não foi atrás dela. Permaneceu calmo, observando a jovem se distanciar.
A avó, ao ouvir a confusão, saiu do quarto e deparou-se com o sumiço da jovem. Com um olhar carregado de insatisfação, suspirou: — Agindo dessa maneira, acha mesmo que vai conseguir trazer a Renatinha de volta?
Wilson desviou o olhar em direção à mais velha e se debruçou para erguer o gatinho do sofá. Enquanto acariciava a cabecinha macia do felino, seus olhos expressavam um profundo brilho: — Vou conseguir, sim.
Afinal, ele foi capaz de perceber que as barreiras de Renata haviam acabado de vacilar.
...
Renata correu para fora do hospital o mais rápido que pôde. Já dentro do carro, recebeu uma notificação de Wilson:
[Renatinha, eu entendo que seja difícil você me aceitar de imediato. Tudo bem, posso esperar. Dirija com cuidado. Caso aconteça qualquer coisa, me ligue.]
Ao morder os lábios, Renata foi subitamente abatida por uma onda de melancolia. Ela não entendia o motivo da insistência de Wilson.
Sem dar uma resposta, deu partida e seguiu em direção à casa da sua irmã.
Desde a última vez, fazia muito tempo que ela não visitava a irmã. As duas mantinham contato apenas por telefone.
Além disso, Renata estava morrendo de saudades. Havia tantas coisas que desejava compartilhar com a irmã; caso não fizesse isso, depois de alguns dias, ao sair do Setor Norte, seria ainda mais difícil encontrá-la novamente.
Porém, ela não percebeu algo crucial.
Um carro preto executivo a estava acompanhando discretamente durante todo o trajeto, repassando cada um de seus passos a Wilson.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir
Acho q uma história dessa merecia um final melhor, mais explicado e com mais detalhes!...