— Wilson, essas suas palavras comovem a alma de qualquer um, mas o que é que isso esconde? Apatia? Crueldade? Ou até um simples "ainda não me cansei da brincadeira".
— Eu não consigo apostar.
— Portanto, poderíamos só esquecer dessa história de romance, por favor?
Os ombros dela sofreram com a instabilidade.
Wilson ficou desnorteado por um mísero segundo.
A causa fora o desespero nas palavras da jovem!
Mas, sem soltar o contato daquele abraço, sussurrou convicto ao ouvido dela: — Eu te garanto que nenhum de seus piores pesadelos irá virar verdade. Daqui por diante, apenas analise minhas atitudes.
O coração de Renata falhou batidas novamente...
Naquela noite,
Renata acabou dormindo no hospital, no quarto vago.
Wilson ofereceu a cama espaçosa para ela e esticou-se sozinho num pequeno sofá.
As longas pernas dele ficavam incrivelmente restritas, tornando-o espremido sob todos os ângulos.
Mesmo assim, não queixou-se de nada.
No dia seguinte,
quando Renata acordou, Wilson já havia desaparecido. Achando que ele havia partido de forma apressada para seus compromissos no escritório, levantou e logo dirigiu-se ao quarto do garoto para cuidar da irmã.
Porém, para seu extremo choque, reparou na chegada de duas enfermeiras cuidadoras.
Uma estava focada no preparo do café da manhã enquanto a outra zelava de Samuel.
Soraia, agora de folga e cheia de alívio repentino, estalava os dedos um no outro freneticamente, preocupada com tamanha presteza.
A surpresa emudecera a voz de Renata.
Ouvindo os cliques da porta, Soraia se voltou abruptamente em direção à jovem, como se visse um milagre resgatá-la da aflição. Levou-a aos cochichos na área externa do quarto: — Wilson trouxe as enfermeiras logo cedo.
A razão daquelas gentilezas saltou bruscamente aos pensamentos de Renata. Calada, não revelou suas preocupações, apertando as mãos apreensivas.
— Não fizeram nada? Qual será a desculpa por trás de todo esse cavalheirismo excessivo da parte dele?
Qual era a desculpa, então...
Renata recordou das falas reconfortantes dele à meia-noite anterior.
Ele atestara que ela jamais sofreria o tormento dos medos do passado, propondo ações contínuas aos sentimentos nutridos para convencê-la.
Uma pontada avassaladora rasgou os sentimentos de Renata.
Abaixou as pupilas novamente: — Fica calma, irmã. Eu sei o limite dos meus princípios, relaxe. Já que enviou pessoas para ficarem com ele, deixemos que façam seu trabalho, tá bom?
Já não havia forma alguma de contestação por parte de Soraia.
Não podia interceder nem julgar livremente, o destino amoroso caberia somente a eles.
O diálogo fluiu por alguns instantes a fio até esbarrarem no semblante recém-chegado de Wilson.
Soraia esboçou pequenos acenos carinhosos na mão da jovem antes de direcionar seu olhar ao homem e, com a máxima educação de uma aprovação recíproca entre cunhados, esgueirou-se em recuo de volta aos leitos do filho.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir
Acho q uma história dessa merecia um final melhor, mais explicado e com mais detalhes!...