— Eu não tinha dito, que não era pra encostar um dedo nela?!
Ele avançou de imediato para resgatá-la.
O homem de óculos escuros se adiantou e o interceptou.
— Nós não tocamos nela. Foi ela quem ficou com medo e começou a chorar... Se não acredita, dá uma olhada na mulher do lado dela e você vai entender. Olhe para ela, e depois compare com a sua irmã, e verá o quão misericordiosos e pacientes fomos com ela!
Wilson franziu a testa, empurrou a mão do sequestrador e não olhou.
Ele já tinha notado a outra mulher no momento em que entrou.
A cabeça dela estava coberta por um capuz preto, impedindo de ver o seu rosto, mas pelo seu corpo que tremia, e pelas marcas vermelhas espalhadas por suas mãos, era fácil perceber que ela, com certeza, havia sofrido abusos desumanos.
Mas nada daquilo tinha a ver com ele. Ele não era um santo movido a caridade.
Nos degraus, Sabrina, com os olhos rasos d'água, lutava com dificuldade para encará-lo.
Os olhos de Wilson se obscureceram. Sem querer perder mais tempo, ele arremessou a maleta prateada diante do homem de óculos escuros e ordenou com voz fria.
— Aqui dentro está o cartão que vocês pediram. Verifiquem logo! Depois de verificarem, soltem-na!
O homem agarrou a maleta e esboçou um sorriso diabólico.
— O Sr. Lopes não perde tempo mesmo!
Ele levantou a mão, sinalizando para um dos capangas se aproximar e pegar a maleta para verificar.
Então, voltou o seu olhar para Wilson. Seu canto de olho percorreu a mulher com o capuz preto, ergueu uma sobrancelha e sugeriu.
— Já que o Sr. Lopes é tão rico, por que não paga um pouco mais e leva essa mulher também?
Wilson franziu o cenho. Evidente que ele não daria ouvidos a uma sugestão daquelas.
Sim, ele tinha dinheiro, mas não era um santo benevolente a esse ponto. Além do mais, num momento tão perigoso, qualquer pessoa normal se preocuparia apenas em salvar os seus, ao invés de perder tempo resgatando um desconhecido.
— Eu só quero a Sabrina Silveira.
O sequestrador curvou os cantos dos lábios de maneira insinuante, mas não acrescentou mais nada.
— Entendido.
O local era vasto e amplo, e a conversa dos dois reverberava muito.
Sabrina escutou cada palavra claramente. Amarrada com as cordas grossas, seu corpo tremeu incontrolavelmente de empolgação. Em seus olhos marejados, brilhou um fulgor de euforia.
Ela sabia! Wilson ainda tinha um lugar para ela no seu coração. Ele jamais conseguiria esquecê-la!
Sabrina não cabia em si de tanta felicidade. Ela olhou para a mulher amarrada ao seu lado e soltou um riso de desdém preso na garganta.
Ah, Renata, Renata... você ouviu o que o Wilson acabou de dizer? Hoje você vai ficar aqui. Para sempre!
De fato, a outra mulher sequestrada não era ninguém menos que Renata.
Renata já não estava bem, e ainda tinha apanhado com chicotes daquelas pessoas por um longo período. A dor a deixou completamente entorpecida, e a sua garganta, além de seca, doía tanto que não conseguia emitir um som sequer.
Sentindo-se mal, ela encostou-se à cadeira. Através do tecido do capuz negro, ela observou de longe o homem conversando com o de óculos escuros.
Ele disse que só queria a Sabrina!
Será que ele não daria nem uma espiada nela?
Não importava o que acontecesse, ela ainda era um ser humano, não é mesmo?
Ele era assim, tão frio e sem coração?

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