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Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir romance Capítulo 87

Renata não sabia que tinha tido o cabelo arrancado. Ela dirigiu com Samuel para o hospital ver sua irmã.

— Tia, nossa escola vai fazer um evento para pais e filhos daqui a dois dias, você pode ir? — No caminho, Samuel se inclinou do banco de trás e perguntou com cuidado a ela.

Ele não queria que o pai o acompanhasse. O pai sempre dizia que ele não estudava direito e ficava indo em eventos inúteis, perdendo o tempo dos dois.

Mas a verdade era que ele não participava por vontade própria...

Renata olhou pelo retrovisor e viu a expressão temerosa de seu sobrinho, e o seu coração doeu.

Ela sorriu.

— Claro que vou, a tia com certeza vai chegar na hora.

Ouvindo as palavras, Samuel finalmente sorriu.

— Combinado!

Meia hora depois, no hospital.

Renata mandou Samuel subir primeiro, e ela foi até o refeitório comprar o jantar.

No caminho, o celular vibrou várias vezes.

Eram mensagens de Wilson novamente.

Aquele devia ser o dia em que ele mandou mais mensagens a ela nos três anos que estavam juntos.

Renata sentiu um pouco de tristeza e um pouco de sarcasmo.

Mas ainda pegou o celular para olhar.

Ela temia que ele pensasse que ela tinha sumido e chamasse a polícia.

Wilson: [Renata, onde você foi?]

[Vou te buscar daqui a pouco.]

[?]

[Responda quando vir.]

[Renata?]

[...]

Renata deu uma olhada rápida e respondeu: [Estou com a minha irmã, quase não olhei o celular.]

[Aliás, não voltarei para casa por esses dias.]

Após apertar enviar.

A janela de bate-papo começou a exibir que ele estava digitando na mesma hora...

Renata apertou o celular.

Um bom tempo depois, o homem mandou a resposta:

[Lembre-se de descansar. Não se preocupe com a sua irmã, já marquei com um médico.]

[Além disso, eu avisei ao médico sobre a cirurgia do seu sobrinho Samuel. O horário já está agendado e é só fazer quando chegar a hora.]

Os olhos de Renata tremeram. Não esperava que ele sequer se lembrasse da cirurgia do Samuel...

Renata: [Obrigada.]

[Estou indo comprar o jantar.]

Isso encerrou o assunto, ela não queria se envolver muito mais com ele.

Wilson ficou em silêncio por um tempo: [Tudo bem, coma mais um pouco, você perdeu bastante peso ultimamente.]

Renata olhou para a tela e desviou os olhos logo depois. Porém os seus olhos ainda ficaram vermelhos. Não de emoção, era só que... era difícil de aceitar.

Ela guardou o celular. Foi comprar o jantar no refeitório e voltou, mas viu que no quarto de sua irmã havia dois enfermeiros.

Renata assentiu e sorriu. Ao baixar o olhar, guardou de imediato todas as suas emoções.

Ela pensou.

Tudo aquilo era apenas algo que Wilson devia a ela.

Do lado de fora da porta.

Sérgio ouvia de fininho encolhido atrás da porta. Ao ver que Wilson era tão bom para Renata a ponto de contratar dois enfermeiros... quanto dinheiro não devia custar aquilo por mês!

Ele estalou a língua duas vezes, retirou do bolso aquele anel que havia encontrado em casa e, depois de analisar os prós e os contras, decidiu que não contaria a Cristiano primeiro!

Ele ainda não havia terminado de desfrutar as bênçãos da família Lopes!

O dia em que a Renata e a família Lopes afundassem de vez, ele ia até Cristiano com o anel!

...

Debaixo do mesmo céu noturno.

No escritório de presidência da filial do Grupo Jardim.

Depois de mandar Pedro para casa, Cristiano foi para a empresa.

Nesse momento, em cima da mesa havia um celular que mostrava um rosto igualzinho ao de Renata.

A garota de dezessete anos, de sorriso vibrante, estava de costas para o oceano, vestia roupas de banho, e fazia um V com os dedos para a câmera. Era brilhante como um pequeno sol.

Com os dedos finos apoiados no queixo, ele observava a tela, calmo como uma estátua fria e cruel.

A luz fria e branca iluminava o rosto bonito, casto e encantador.

Nisso, o telefone vibrou de repente.

Os olhos escuros dele moveram-se um pouco, ele estendeu a mão por reflexo para olhar o celular e, ao ver a notificação da tela, seu olhar obscureceu um pouco.

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