Renata não sabia que tinha tido o cabelo arrancado. Ela dirigiu com Samuel para o hospital ver sua irmã.
— Tia, nossa escola vai fazer um evento para pais e filhos daqui a dois dias, você pode ir? — No caminho, Samuel se inclinou do banco de trás e perguntou com cuidado a ela.
Ele não queria que o pai o acompanhasse. O pai sempre dizia que ele não estudava direito e ficava indo em eventos inúteis, perdendo o tempo dos dois.
Mas a verdade era que ele não participava por vontade própria...
Renata olhou pelo retrovisor e viu a expressão temerosa de seu sobrinho, e o seu coração doeu.
Ela sorriu.
— Claro que vou, a tia com certeza vai chegar na hora.
Ouvindo as palavras, Samuel finalmente sorriu.
— Combinado!
Meia hora depois, no hospital.
Renata mandou Samuel subir primeiro, e ela foi até o refeitório comprar o jantar.
No caminho, o celular vibrou várias vezes.
Eram mensagens de Wilson novamente.
Aquele devia ser o dia em que ele mandou mais mensagens a ela nos três anos que estavam juntos.
Renata sentiu um pouco de tristeza e um pouco de sarcasmo.
Mas ainda pegou o celular para olhar.
Ela temia que ele pensasse que ela tinha sumido e chamasse a polícia.
Wilson: [Renata, onde você foi?]
[Vou te buscar daqui a pouco.]
[?]
[Responda quando vir.]
[Renata?]
[...]
Renata deu uma olhada rápida e respondeu: [Estou com a minha irmã, quase não olhei o celular.]
[Aliás, não voltarei para casa por esses dias.]
Após apertar enviar.
A janela de bate-papo começou a exibir que ele estava digitando na mesma hora...
Renata apertou o celular.
Um bom tempo depois, o homem mandou a resposta:
[Lembre-se de descansar. Não se preocupe com a sua irmã, já marquei com um médico.]
[Além disso, eu avisei ao médico sobre a cirurgia do seu sobrinho Samuel. O horário já está agendado e é só fazer quando chegar a hora.]
Os olhos de Renata tremeram. Não esperava que ele sequer se lembrasse da cirurgia do Samuel...
Renata: [Obrigada.]
[Estou indo comprar o jantar.]
Isso encerrou o assunto, ela não queria se envolver muito mais com ele.
Wilson ficou em silêncio por um tempo: [Tudo bem, coma mais um pouco, você perdeu bastante peso ultimamente.]
Renata olhou para a tela e desviou os olhos logo depois. Porém os seus olhos ainda ficaram vermelhos. Não de emoção, era só que... era difícil de aceitar.
Ela guardou o celular. Foi comprar o jantar no refeitório e voltou, mas viu que no quarto de sua irmã havia dois enfermeiros.
Renata assentiu e sorriu. Ao baixar o olhar, guardou de imediato todas as suas emoções.
Ela pensou.
Tudo aquilo era apenas algo que Wilson devia a ela.
Do lado de fora da porta.
Sérgio ouvia de fininho encolhido atrás da porta. Ao ver que Wilson era tão bom para Renata a ponto de contratar dois enfermeiros... quanto dinheiro não devia custar aquilo por mês!
Ele estalou a língua duas vezes, retirou do bolso aquele anel que havia encontrado em casa e, depois de analisar os prós e os contras, decidiu que não contaria a Cristiano primeiro!
Ele ainda não havia terminado de desfrutar as bênçãos da família Lopes!
O dia em que a Renata e a família Lopes afundassem de vez, ele ia até Cristiano com o anel!
...
Debaixo do mesmo céu noturno.
No escritório de presidência da filial do Grupo Jardim.
Depois de mandar Pedro para casa, Cristiano foi para a empresa.
Nesse momento, em cima da mesa havia um celular que mostrava um rosto igualzinho ao de Renata.
A garota de dezessete anos, de sorriso vibrante, estava de costas para o oceano, vestia roupas de banho, e fazia um V com os dedos para a câmera. Era brilhante como um pequeno sol.
Com os dedos finos apoiados no queixo, ele observava a tela, calmo como uma estátua fria e cruel.
A luz fria e branca iluminava o rosto bonito, casto e encantador.
Nisso, o telefone vibrou de repente.
Os olhos escuros dele moveram-se um pouco, ele estendeu a mão por reflexo para olhar o celular e, ao ver a notificação da tela, seu olhar obscureceu um pouco.

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