"Valentina"
Eu estava entre a minha avó que queria fazer algo por mim e o Murilo que me olhava como se tivesse recebido um presente dos céus. Eu ergui o dedo para ele, tentando frear a sua empolgação, e ele colocou as mãos postas em súplica na minha frente.
- Tininha, eu sei que eu estou velha, preciso de ajuda para muitas coisas e não posso fazer quase nada por você, minha filha. Eu nunca pude fazer muito. Mas eu não vou deixar a Agatha contar essas mentiras sobre você. - A minha avó estava decidida, mas eu não queria que ela se preocupasse.
- Vó... - O meu coração apertou. Eu não queria que a minha avó soubesse disso, ela deveria estar tranquila. - Como você soube disso?
- Tem uma colega aqui que tem um desses telefones modernos e ela me mostrou. Mas pode ficar tranquila, Tininha, aqui todo mundo sabe que você é uma menina de ouro. Meus amigos estão todos bravos com a Agatha. E eu mais ainda. - A minha avó contou toda alvoroçada e de repente eu sorri me apegando ao fato de que ela tinha feito amigos.
- Vó, eu não quero que você se preocupe com isso. Você sabe como a Agatha é. Deixa que eu cuido disso. Eu só quero que você se cuide e se divirta, não quero que você se estresse.
- Tininha, estressada eu ficava quando o Aroldo não me deixava sair do quarto e a Marli economizava no meu prato de comida para pagar os cartões daquela desmiolada no shopping! - A Vó Isabel desabafou do outro lado da linha. - Eu quero te ajudar. - Ela insistiu. E como era teimosa quando enfiava alguma coisa na cabeça!
- Vó, eu te amo tanto! Obrigada! Mas eu não quero que você se preocupe...
- Vó Isabel, é o Murilinho. - O Murilo pegou o celular e falou com um sorriso, como se fosse ele o neto da D. Isabel.
- Murilinho Pudinzinho, que bom que você está com a Tininha, porque eu sei que o meu neto príncipe é muito ocupado. Ele deve estar furioso com aquela desmiolada da Agatha. - A minha avó falou com total naturalidade.
O Murilo deu uma risada satisfeita.
- Ele é mesmo muito ocupado, Vó. Mas olha só, mais tarde a Tininha e eu vamos passar aí para te ver e eu já sei como a senhora vai nos ajudar. A senhora pode esperar porque nós queremos a sua ajuda sim. A Tininha é muito orgulhosa para aceitar que a gente cuide dela, mas nós não vamos deixá-la sozinha, não é, Vó?! - O Murilo decidiu sem me consultar, ou melhor, sem dar atenção para o que eu havia dito.
- Murilo! - Eu ralhei com ele, mas ele não ligou.
- Vó, a gente se vê mais tarde. A Tininha manda beijos e a Morena também. - O Murilo se despediu cheio de intimidade.
- Eu espero vocês, Murilinho. Vou falar para as meninas guardarem seus pudins. - A minha avó respondeu e logo depois desligou.
- Você está louco, Murilo? Não vou meter a minha avó nisso! - Eu reclamei irritada.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal