"Dante"
Depois de conversar com o médico eu assinei todos os papéis necessários, forneci informações e fui conduzido a um dos quartos do hospital. Uma enfermeira simpática me acompanhou e me entregou aquela camisola hospitalar que, embora fosse prática e eficiente, simplesmente me dava a sensação de deixar quem a usasse parecendo mais doente do que estava. Ela informou que em breve a equipe me buscaria para os exames e se retirou.
Eu dei uma olhada pelo quarto. Nada de novo em um hospital, apenas tons de azul claro nas paredes e nos lençóis e mobiliário hospitalar branco. Eu respirei fundo, eu estava ansioso e um pouco tenso. O Dr. Jonathan Vance havia me dado um fio de esperança. Uma esperança de vida! No entanto, tudo o que ocupava a minha mente era a imagem da Valentina. Eu precisava ouvir a voz atrevida da minha Encrenca antes de começar a fazer os exames como se estivesse em uma maratona hospitalar.
Peguei o meu celular no bolso do paletó para ligar para ela, mas no milésimo de segundo em que a tela acendeu, o meu sangue congelou nas veias. O celular estava no silencioso, mas as notificações no aparelho estavam em chamas. A tela exibia uma enxurrada de notificações de mensagens de urgência e alertas de desastre integrados do departamento de relações públicas da holding. Instintivamente, o meu polegar destravou a tela e eu abri a primeira mensagem com um arquivo de vídeo que caiu como uma bomba na minha cabeça.
Era um vídeo difamatório da Agatha Camargo viralizando, no topo das páginas de fofoca da internet. Aquela oportunista invejosa estava acusando a Valentina de coisas horríveis. Eu assisti à gravação com os dentes trincando de raiva. Cada lágrima que a garota despejava na frente da câmera era uma baixeza e uma mentira deslavada. E logo agora que eu não estava lá para acalmar a Valentina.
- Sua ordinária dissimulada! É uma golpista tal qual o pai! Mas vocês não vão conseguir o que querem. - Eu sibilei em alto e bom som no quarto vazio.
A Agatha estava usando o meu sobrenome para promover um massacre de cancelamento virtual público contra a minha esposa no momento mais vulnerável, logo na semana do implante da fertilização! Eu precisava estar com a Valentina. Eu li rapidamente cada um dos alertas. As coisas que a internet produzia eram horríveis. As pessoas acreditavam em qualquer mentira, bastava quem estivesse falando posar de anjinho ofendido ou salvador do mundo e a internet se tornava um tribunal impiedoso. Eu odiava isso!
Eu tentei ligar para a Valentina no segundo seguinte, o meu peito arfando de puro desespero. O celular dela chamou uma, duas, três vezes, caindo direto na caixa postal. Tentei novamente, o meu pulso acelerando com um prenúncio de colapso, mas continuava caindo na caixa postal. Ela estava inacessível, provavelmente ignorando o celular para não ter que lidar com aquele lixo. Ou indo furiosa atrás da Agatha. Sozinha. Enquanto eu estava em outro país.
Cego de ódio por estar preso de mãos atadas a quilômetros de distância, eu busquei o número do Murilo e liguei para ele. Meu amigo e advogado atendeu no primeiro toque.
- Murilo! Que escândalo infernal é esse na internet? Eu disparei sem nenhum cumprimento cortês. - Como o vídeo daquela criatura ganhou essas proporções? E o mais importante, onde está a minha esposa agora?
- Dante, se acalme! Eu já estou contornando a situação. - A voz formal do Murilo ecoou pelo aparelho. - Eu tenho uma suspeita de como isso explodiu tão rápido, a Agatha provavelmente está agindo sob a orientação do Otto. Ele conhece pessoas na imprensa, a Aurélia também e a forma como eles tentaram tripudiar sobre a Valentina... eu aposto todas as minhas fichas que o seu primo está por trás disso.
- Eu vou acabar com ele! - Eu murmurei irritado. - O que eles fizeram com ela.
- Tentaram desestabilizá-la, mas ela não abaixou a cabeça. Dante, fica tranquilo, eu estou aqui na mansão e já estou tomando providências. O departamento de relações públicas já está contendo os danos na empresa e eu estou esperando a Valentina e a Tatiana para irmos no Residencial. A Vó Isabel viu o vídeo, ligou para a Valentina preocupada e diz que quer ajudar.
- Eu vou assinar o fechamento da internação aqui e pegar o primeiro jatinho de volta para casa ainda hoje, Dornelles! - Eu esbravejei irritado. - Eu preciso estar ao lado dela!
Nesse momento o médico entrou no quarto com a sua equipe e eu pedi ao Murilo que esperasse na linha.
- Algum problema, Sr. Montenegro? - O médico me perguntou, certamente percebendo a minha irritação.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal