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Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 122

"Valentina"

Embora o céu já estivesse claro, o sol ainda não tinha surgido naquele início de manhã de sexta feira quando o som de passos descalços quebrou o silêncio do quarto. Eu abri um pouco os olhos na penumbra, sentindo uma irritação já requentando em mim por ter acordado cedo demais. E o meu primeiro pensamento foi que eu estava há mais de três dias imersa em um silêncio cruel, sem que o desalmado do Dante Montenegro se dignasse a dar sinal de vida. Eu afastei o Dante dos meus pensamentos matinais e ergui um pouco a cabeça para ver a Tati saindo do closet na ponta dos pés.

- Porra, Tati… está muito cedo, volta pra cama. - Eu resmunguei manhosa, enfiando o rosto sob o travesseiro.

- Volta a dormir, Tina! Eu perdi o sono, vou lá na cozinha assaltar a geladeira. - A Tati sussurrou rindo baixo, abrindo a porta com cuidado e saindo do quarto e mansinho.

Eu puxei o edredom até as orelhas, decidida a entubar a raiva e voltar a dormir. Assaltar a geladeira às cinco da manhã, isso era um absurdo. Mas a Tatiana era um absurdo! Eu sorri com o pensamento sobre a minha amiga e voltei a relaxar. Poucos minutos depois que a minha amiga saiu, o meu ouvido registrou o barulho suave e discreto da porta se abrindo de novo e um farfalhar de tecido. Achei que fosse a Tati voltando, talvez não tivesse encontrado nada na geladeira, então continuei de olhos fechados, imersa naquele estado de sonolência.

O colchão afundou. No instante seguinte, eu senti um calor abrasador e perfeitamente familiar se aninhar logo atrás de mim. Um braço longo, firme e grande passou pela minha cintura, me puxando para trás, e um beijo suave e quente foi depositado no meu pescoço.

- Você está deitada no meu lado da cama, Encrenca. - O Dante falou baixinho, o seu perfume amadeirado me envolvendo numa sensação confortável e acolhedora que me fez esquecer o quanto eu estava chateada com ele.

- Hummm… me deixa, Chicletinho… está cedo demais… - Eu murmurei, me mexendo para me acomodar no calor daquele abraço que me fazia sentir tão bem e fui relaxando.

Ficamos ali paralisados na penumbra do amanhecer por longos dois minutos. Foi o tempo exato que o meu cérebro demorou para processar aquela voz e se reconectar com a realidade.

Dante! Ele estava de volta! Como se não tivesse sumido por três dias.

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