"Valentina"
A respiração quente do Dante roçava a curva do meu pescoço, me causando arrepios que desarmavam a minha irritação. Eu ainda tentava manter a minha pose de brava com ele por causa do silêncio dos últimos dias, mas ter o corpo dele me esmagando contra o colchão virava o meu juízo e estava me amolecendo rápido demais. Ele começou a falar na minha orelha bem baixinho, a sua voz rouca entrava pelos meus ouvidos como um bálsamo calmante e reconfortante.
- Eu te ouvi, Encrenca! Lembra que eu te disse isso? Eu não fui para Boston a trabalho, eu fui em busca de uma segunda opinião médica, como você queria… e me fez querer também. - O Dante confessou, os seus dedos longos deslizando pela minha pele com um cuidado tremendo. Mas o que ele disse me fez esquecer completamente os dias de silêncio e a irritação.
- Você procurou outro médico? Porque eu pedi? - Eu perguntei com a respiração ficando travada pela onda de emoção que eu senti por ele finalmente ter saído daquela inércia de aceitação. - Por que você não me contou? Eu podia ter ido com você.
- Eu procurei uma segunda opinião porque você me faz querer viver uma vida longa e feliz ao seu lado. - Ele falou com os olhos presos aos meus. - Eu decidi não te contar sobre o real motivo da viagem porque eu não queria acender uma fagulha de esperança na sua mente e depois ver o brilho desses olhos castanhos e lindos ser arrancado se os médicos não tivessem algo para me oferecer.
Eu apertei os ombros largos dele, sentindo o meu coração amolecer de vez com aquela revelação. Toda a minha fúria pela ausência dele, pelo silêncio, pelo estúdio se arrefeceu, tudo que vinha sendo represado dentro de mim, começou a se dissipar diante do que significava ele querer viver.
- O que os médicos disseram? Me conta. E não interessa se eles disseram que não tem jeito, a gente vai continuar procurando até encontrar um tratamento. Eu quero que você tenha esses longos anos de vida. - Eu declarei resoluta, vendo o sorriso dele se abrir para mim.
- Eu passei por uma verdadeira maratona no Hospital Geral de Massachusetts, foi um purgatório exaustivo de exames e conversas com médicos, Valentina. E foi tanta coisa que eu não consegui te ligar e depois que o médico me liberou eu só pensei em voar para casa, para você. - Ele continuou, roçando os lábios na minha bochecha em chamas enquanto falava. - Eu passei os últimos dias preso dentro de máquinas de ressonância com contraste e testes neurológicos que me deixaram com dor de cabeça e totalmente quebrado de cansaço. Mas, mesmo nas poucas horas que eu consegui dormir, a minha mente só pensava em você.
- Eu já disse que você é um safado muito convincente, Montenegro? - Eu murmurei com a voz um tanto manhosa, enfiando os meus dedos pelos cabelos dele.
- Hoje ainda não! - Ele riu, com os lábios roçando a minha orelha e aquele som foi direto para o meu sexo.
- Você é um safado muito convincente! - Eu declarei. - Mas isso não significa que eu te perdoei.
O Dante soltou outra risada rouca, totalmente deliciosa e sexy contra a minha boca, e o seu membro marcando descaradamente o tecido da cueca contra o meu quadril me entregou que ele sentia a nossa proximidade com o mesmo desespero que eu.
- O que os médicos disseram? - Eu quis saber, antes que ele me distraísse mais.
- A junta médica de Boston me deu uma esperança, Valentina. - Ele declarou devagar e me observou. - Eles têm um tratamento em fase de testes. É muito promissor. Os especialistas entraram com uma conduta experimental avançada.
Ouvir aquilo foi como ganhar uma injeção de ânimo. Eu abri bem os olhos e o sorriso no meu rosto era tão grande que poderia dividi-lo ao meio.
- Eles podem te curar? - Eu perguntei ansiosa e animada, sentindo um calorzinho invadir o meu coração.
- Eles estão tentando. Além do mais eles disseram que o Hércules adotou uma conduta excessivamente cautelosa ao restringir as minhas atividades desnecessariamente. - Ele falou no meu ouvido.

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