"Valentina"
Um homem de cerca de um metro e setenta entrou no escritório, acompanhado de mais duas moças e uma quantidade meio grande de araras abarrotadas de vestidos de festa. O meu queixo caiu diante daquela visão e da agilidade com que as duas moças converteram o escritório em um verdadeiro camarim privado.
- Sr. Montenegro, é realmente um privilégio atender ao seu chamado. - O homem cumprimentou efusivamente.
- O seu privilégio será vestir a minha esposa e a amiga dela para o baile beneficente de amanhã, Pierre. - O Dante respondeu e me apresentou. - Esta é a Sra. Montenegro, aquela é a Srta. Santana. Faça delas as mulheres mais lindas da noite de amanhã.
- Oh là là! Mas são duas déesses! - O homem encarou a mim e a Tati deliberadamente dos pés a cabeça.
- É o que, meu filho? Do que você nos chamou? - A Tatiana ficou de pé e encarou o homem que deu uma risada divertida.
- Pardon, chérie! - O homem se aproximou da Tati e deu dois beijinhos no vento, porque ele nem tocou o rosto dela, e depois fez o mesmo comigo. - Ah, me desculpe. Eu disse que vocês são duas deusas! Sr. Montenegro, elas serão o comentário do mês. - O tal Pierre garantiu.
- Pierre, querido, que gentileza a sua ter vindo me atender. - A perua da Aurélia entrou no escritório sem nenhuma cerimônia. - Dante, eu preciso usar o escritório agora, tenho certeza que você não se incomoda.
- Mas, Sra. Aurélia, eu não vim atendê-la. A senhora tem um horário marcado no meu ateliê. - O Pierre a encarou, parecendo confuso.
- Por que está me chamando de Sra. Aurélia, Pierre? Você sempre me chamou de Sra. Montenegro. - A Aurélia encarou o homem que nem ligou para o que ela disse.
- Pardon, senhora, mas agora temos uma nova Sra. Montenegro e para não haver confusão no ateliê a partir de agora a chamaremos de Sra. Aurélia. A senhora não concorda que é o mais correto?! - Ele sorriu satisfeito com a solução prática para evitar enganos.
- Corretíssimo, Pierre! A Sra. Montenegro agora sou eu. - Eu declarei com um sorriso desafiador para a Aurélia.
- Aurélia, se retire, por favor. O Pierre está aqui para atender a minha esposa, não a você. E para o seu registro, este é o meu escritório e você não tem permissão de usá-lo nem mesmo para se confessar com o Papa. Agora se retire! - O Dante decretou, fazendo os olhos cobiçosos do Pierre brilharem.
- Mas... Pierre, eu sou sua cliente há anos. - A Aurélia insistiu.
- Ah, chère madame, me desculpe, mas o meu horário está comprometido com a Sra. Montenegro. Mas não se preocupe, a minha equipe vai atendê-la divinamente no meu ateliê. - O Pierre dispensou a Aurélia sem nenhum remorso.
- Saiba que eu não estou contente com isso, Pierre! - A Aurélia falou com a voz irritada e saiu do escritório bufando pelo corredor. O Pierre apenas deu de ombros e se virou para mim.
- Vamos começar a diversão? - O Pierre perguntou com um sorriso escancarado.
- Será uma tarde muito agradável! - O Murilo se sentou no sofá e o Dante foi se sentar ao seu lado como um rei.
- Vocês dois, fora! - Eu apontei para eles. - E eu não quero repetir.

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