"Valentina"
No fim do dia, tinha sido um ótimo dia, apesar do Aroldo e de toda a corja de encostados. Apesar de que, uma coisa ainda estava me incomodando, ou melhor, uma pessoa, específicamente a que atendia por Dante Montenegro e encheu os meus ouvidos de palavras bonitas essa manhã. Ele tinha falado muito, mas até aquele momento não tinha feito nada!
O Dante Montenegro estava agindo de forma estranha, e aquilo estava começando a me fazer pensar. Ele havia retornado de Boston com a notícia de que não havia mais restrição física e, por tudo o que já havia acontecido entre nós, eu pensei que ele não esperaria mais nem um segundo para arrancar a minha roupa e extravasar todo o tesão reprimido. No entanto, ele continuava contido. Ele me cobria de mimos, me tratava como se eu fosse preciosa e estava sendo extremamente carinhoso, mas não fazia nenhuma gracinha. Não entrou no banheiro enquanto eu tomava banho de manhã e nem me agarrou enquanto eu trocava de roupa no closet.
Tinha algo errado. Eu não estava entendendo aquela inércia. Onde estava o homem que me prensava contra a parede do closet com uma luxúria incontrolável? Talvez ele ainda estivesse cansado da viagem, ou talvez a quantidade de hormônio que eu tomei para fazer essa fertilização estivesse me transformando numa ninfomaníaca que só pensava em sexo. Se fosse isso, o Dante ia desejar ter mantido em segredo essa liberação médica.
- Quer saber, já disse o poeta, "quem sabe faz a hora, não espera acontecer"! Vou te pegar de jeito, Chicletinho! - Eu murmurei para mim mesma e fui para o banheiro, antes que o Dante entrasse no quarto. Ele ficou no escritório, lendo um relatório, mas não demoraria a subir.
Eu tomei um banho demorado, deixando a água quente relaxar os meus músculos. Depois apliquei uma dose generosa do meu hidratante com cheiro de amêndoas doces e cacau, deixando a pele acetinada. Ele parecia gostar daquilo. No lugar das camisas dele, eu vesti uma camisola de seda num tom de rosa queimado que terminava exatamente na curva do meu bumbum e quase deixava os meus seios pularem do decote. Eu me olhei no espelho e me senti deslumbrante. Ele não ia escapar, eu estava pronta para testar o limite do autocontrole do meu mauricinho.
Eu deixei apenas as luzes indiretas do quarto acesas e me deitei de lado no banco longo que ficava aos pés da cama, com a cabeça apoiada em uma das mãos, tentando manter uma pose sexy. Eu estava de frente para a porta, ele não podia fingir que não me viu.
Não demorou para que ele entrasse no quarto e paralisasse na porta. Ele me viu, seus olhos deslizaram pelo meu corpo como se fosse uma mão me acariciando, ele engoliu em seco e respirou fundo, trancando a porta atrás de si.
- Encrenca… - A sua voz grave saiu um tanto rouca e ele limpou a garganta. - Você está linda.
- Você acha? Não quer conferir mais de perto? - Eu o provoquei e ele se aproximou, se ajoelhando para me dar um beijo rápido, colocando a mão no meu quadril.
- Eu não preciso conferir. Eu sei que você é linda. - Ele sussurrou perto da minha boca. - E essa camisola é nova.
- É uma das que você comprou naquele dia na loja. Gostou? Se você quiser, eu posso fazer um desfile de todas que você não viu ainda. - Eu sugeri e coloquei a mão na nuca dele.
- Eu não vi nenhuma! - Ele abriu um sorriso confiante. - Você adora as minhas camisas.

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