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Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 130

"Dante"

Eu apoiei os cotovelos na madeira de mogno do escritório dos fundos e coloquei a cabeça entre as mãos, sentindo o peso do meu desespero finalmente quebrar o meu autocontrole ensaiado. O Murilo me encarou com a seriedade solene de um irmão preocupado.

- Se abre comigo, Dante. É a mentira que você está sustentando para a Valentina que está te assombrando, não é?! - O meu amigo perguntou baixo.

- Também. Mentir para ela não é fácil, me deixa desconfortável, mas eu não posso contar agora, Murilo, e você conhece as razões. Mas o caso é que eu estou há meses inativo... e a Valentina só precisa piscar para mim para me deixar numa situação delicada. Eu tenho medo de... - Eu estalei a língua, pronunciar aquilo em voz alta era constrangedor.

- Fala logo, Dante! Nós somos amigos!

- Eu tenho medo de não conseguir me controlar e chegar lá cedo demais, entende? Ou de não conseguir manter a rigidez e falhar. Foram meses como celibatário, Murilo, eu não sei como vai ser voltar a ativa, ainda mais com a Valentina, uma mulher tão incrível, linda, exuberante e bem resolvida.

O Murilo franziu o cenho com estranheza, tentando compreender o que eu tinha dito e eu vi a diversão tomar conta dele no momento em que compreendeu o que eu queria dizer.

- Você está dizendo que está com medo de ter uma eja'cul'ação precoce ou simplesmente ter uma disfunção eré'til? - Ele perguntou e no segundo seguinte desatou na maior gargalhada, chegando a ter lágrimas nos olhos.

- Você é o pior amigo de todos! - Eu declarei. - Deveria me apoiar e não rir de mim. É uma situação delicada.

- Dante, não dá para não rir. Você é ridículo! Nunca teve esse tipo de insegurança. Está parecendo um adolescente inexperiente. Cadê o cara que deixava as mulheres enlouquecidas? Para com isso. Você sabe o que fazer e está perfeitamente saudável, vai ser feliz com essa mulher incrível que está na sua cama. Aliás, você deveria fazer isso agora. Vai lá e rasga a tal camisolinha em pedaços. Amanhã você me conta. - O Murilo se levantou para ir embora e quando chegou à porta eu o chamei.

- Murilo... e se acontecer? Se eu não for mais como antes?

- Aí você vai pedir desculpas e dizer a ela exatamente tudo o que me disse aqui. Mas, pelo amor de Deus, não diga o clichê "isso nunca me aconteceu antes", isso soa como "acontece com muita frequência". Você já está mentindo para ela sobre algo muito importante, só tente não mentir mais, seja honesto e vocês dois vão ficar bem. - O Murilo saiu do escritório, me deixando só com os meus pensamentos.

Assim que o Murilo saiu eu peguei o celular e fiz uma pesquisa e foi como um balde de água fria depois do incentivo do Murilo. Como eu suspeitava, a abstinência era necessária por alguns dias após a implantação do embrião. A Valentina provavelmente não sabia disso, já que nós não perguntamos ao médico. Nós precisávamos falar sobre isso. Eu respirei fundo e me senti pronto para subir as escadas, me enfiar de volta nos braços da minha esposa e ter uma conversa séria com ela.

Mas meus planos foram alterados assim que entrei no quarto e vi que a única luz ali era o abajur aceso do meu lado da cama. A Valentina estava em um estado de sono profundo e o meu coração aqueceu no meu peito com a imagem dela dormindo tranquila na minha cama.

Ela não estava mais com a camisola rosa. Ela usava um moletom grande demais para ela e parecia uma menina indefesa tentando se esconder no meio de tanto tecido. Eu respirei fundo, nossa conversa foi adiada para a manhã seguinte.

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