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Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 143

"Valentina"

Quando a manhã de domingo nasceu, eu ainda não estava pronta para sair da cama. Depois de deixar do quarto do Dante, eu havia passado o resto da madrugada chorando. Eu não costumava me abalar assim, mas nos últimos meses aconteceram tantas coisas que eu me sentia como se estivesse soterrada. E todos aqueles hormônios por causa da fertilização in vitro estavam me deixando num carrossel de emoções que eu tentava equilibrar. No entanto, a noite passada foi a gota d'água.

Eu ainda remoía a dor de ver a Carmela Malta rindo colada ao peito do meu marido na pista de dança como um soco no estômago. Então eu fechei os meus olhos e deixei o sono me abraçar outra vez.

Acordei com o peito um pouco mais leve, mas com a cabeça dando voltas em tudo o que tinha acontecido e o que eu ouvi do Dante. Ele disse que era louco por mim e eu não podia mesmo negar que havia tesão entre nós, mas e se fosse só isso? E ainda tinha o ciúme, que ele deixou bem claro na noite passada, mas isso podia ser só um sentimento de posse, podia só não querer ninguém brincando com os seus brinquedos.

Eu desisti de tentar entender aquilo tão cedo. Me levantei da cama e fui tomar um banho, felizmente eu tinha deixado várias coisas nesse quarto no dia anterior depois de me arrumar com a Tati.

Depois do banho eu já me sentia bem melhor, bem mais em condições de falar com o Dante. Eu me aproximei da porta e vi que tinha um envelope no chão, provavelmente passado por debaixo da porta durante a madrugada. Imediatamente eu pensei que fosse o divórcio, que o Dante havia decidido ir atrás da Carmela. Esse pensamento fez o meu peito se apertar e eu precisei reunir toda a coragem possível para me abaixar e pegar o envelope.

Eu examinei o envelope, com a caligrafia do Dante pelo lado de fora do envelope estava escrito "eu nunca quis te controlar, mas eu quero cuidar de você". Aquela pequena frase me deu um pouco mais de coragem para abrir o envelope e eu tirei as folhas de dentro. Era o aditivo contratual do meu estúdio de pole dance. O galpão industrial e o meu estúdio estavam cem por cento desvinculados das Indústrias Montenegro e registrados apenas no meu nome, sob uma cláusula de incomunicabilidade absoluta que o isolava de qualquer partilha de bens. O lugar era meu, como ele tinha prometido e significava muito ele ter cumprido a promessa.

Eu destranquei a porta devagar, esperando encontrar o coitado do Fausto de prontidão, no entanto o que eu encontrei assim que abri a porta para deixar o meu isolamento, me fez paralisar.

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