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Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 142

"Dante"

Ouvir aquelas palavras saírem da boca da Valentina com uma crueza mundana e uma dor escancarada cortou o clima de cobranças e irritação e fez o meu mundo inteiro desabar. Meu coração se retorceu no meu peito e o meu rosto despencou da fúria possessiva do ciúme que me agitava para o mais puro, visceral e descontrolado desespero. Eu estremeci e as minhas mãos tremeram levemente diante do pânico real de perdê-la.

Aquilo era tudo que eu não queria, que ela se sentisse um meio para um fim, unicamente parte de um plano de sucessão, pois embora no início tenha sido isso, há algum tempo já não era mais. Eu senti o meu peito esmagado por um soco de realidade que me tirou o fôlego e me fez oscilar.

“Eu sou apenas uma peça utilitária temporária desse casamento de fachada! Um escudo contra os encostados da sua família e um útero de aluguel para gerar o seu herdeiro legítimo...”

As palavras dela eram duras e não poderiam ser mais equivocadas, mas elas ecoavam nas paredes como um liquidificador triturando o meu juízo e o meu coração. Eu afrouxei o aperto firme nos pulsos macios da Valentina, mas não me afastei. Eu não ia me afastar sem consertar aquilo. Eu encarei os seus grandes olhos castanhos brilhando com lágrimas nas bordas que ela tentava conter para manter a dignidade ferida.

Como eu tinha sido estúpido! Deixar a Carmela se aproximar tanto. Mas eu fui pego completamente de surpresa, eu não sabia que a Carmela havia voltado, nem que estaria no baile e muito menos que fosse agir como agiu, como se ainda tivesse algum direito a reivindicar. Ora, foi ela quem terminou comigo. Ela foi embora. E eu segui em frente com a minha Encrenca e não ia perdê-la por causa de uma história do passado que já não fazia sentido.

Eu estava começando a duvidar que esconder que eu não estava doente tinha sido uma boa estratégia. Eu escondi a a verdade por medo de que ela me deixasse e agora ela estava magoada por pensar que era apenas um escudo para mim.

- Olha, nós já fizemos a fertilização, segunda vamos saber o resultado, mas independente do que seja, você pode romper o contrato, eu não vou exigir nada e se eu estiver grávida...

- Não termine essa frase, Valentina! E nunca mais repita essa atrocidade! Você não é a porra de um escudo ou um útero de aluguel, caralho! - Eu vociferei desesperado enquanto tentava segurar o rosto dela para que ela e encarasse. - Você é a única e absoluta dona de tudo o que eu tenho e o que eu sou! Eu estou completamente louco por você, Encrenca! Será que você não vê? - Eu suavizei a minha voz. - Eu passei o baile inteiro com o sangue fervendo de ódio por você ter se fechado para mim depois que a Carmela apareceu! E eu morri de ciúme ao te ver sorrindo para o Gonçalo.

- Me solta, Dante! Eu não preciso que você doure a pílula para mim, eu posso lidar com a verdade. E a verdade é a que a Aurélia esfregou na minha cara, você ainda gosta da fulaninha ou não teria deixado que ela se aproximasse. - A Valentina gritou na minha cara de queixo erguido, se desvencilhando das minhas mãos e me empurrando com uma agressividade que me deixou atônito.

Ela me deu as costas com o seu orgulho suburbano indomável, caminhou a passos rápidos e implacáveis até as gavetas e arrancou de lá um dos meus moletons. Mas antes que ela se escondesse nele, eu a alcancei e o tirei das suas mãos, a abraçando pelas costas e a prendendo contra o móvel.

- Eu não estou dourando a pílula, eu não sinto nada pela Carmela e você está dando a Aurélia o que ela queria, separar nós dois. - Eu sussurrei no ouvido dela. - É verdade que eu não soube afastar a Carmela, mas unicamente porque ela é filha do Malta e eu pretendo conversar com ele na segunda sobre o comportamento inadequado da filha que eu não vou mais tolerar. Mas entenda, Valentina, eu só não queria uma cena no baile e a carmela é especialista e, se fazer de vítima.

- Me solta, Dante.

- Não faz isso com a gente, Encrenca. Não me afasta. Você sabe exatamente o que há entre nós e que aquele maldito contrato já foi pelos ares. - Eu pedi, choramingando como um cachorrinho.

- Você vai precisar de mais do que palavras sussurradas se quiser me convencer disso.

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