"Valentina"
A Tati e eu voltamos pela cozinha e nos escondemos atrás da porta da sala de jantar, assistíamos de camarote e uma vista privilegiada ao início da maior lição que aquela girafa oferecida teria na vida.
A Carmela Malta entrou pela sala lateral e caminhou com passos lentos, usando apenas um biquíni branco de um ombro só e pelo menos dois números menores que o manequim dela, rebolando de forma insinuante e audaciosa em direção a sala principal, mas quando chegou ao hall e viu o Dante de pé perto da porta, ela abriu um sorriso convencido. Mas eu arrancaria aquele sorriso do rosto dela.
- Onde ela comprou esse biquíni? Na seção infantil? Olha lá, Tina, mal cobre o básico. Nem nós duas usamos algo assim e olha que nós usamos coisas pequenas. - A Tati murmurou sobre o meu ombro.
- Isso foi comprado com um propósito, Tati. Mas nós vamos garantir que a girafona escolha melhor sua roupa de banho da próxima vez. Já avisou ao Murilo?
- Já! Tina, eu estou estranhando essa sua calma. A Valentina de antigamente já teria voado no pescoço dela e ela precisaria no mínimo de um implante capilar. Mas a Valentina de hoje se superou! Elaborou, produziu e colocou o plano em marcha.
- Eu estou aprendendo uma coisa com o meu mauricinho, Tati: é sempre melhor planejar, pegar o inimigo de surpresa e deixar que ele tropece na própria bagunça. - Eu falei baixinho, vendo a Carmela parar, ajeitar o cabelo e o biquíni, e voltar a caminhar em direção ao Dante. - Mas se ele não colocá-la em seu lugar hoje, você vai ver a Valentina de antigamente quebrar essa casa inteira.
Um vulto mais atrás da Carmela me chamou a atenção. Eu vi a Aurélia espreitar pela sala lateral e se posicionar com o celular na mão. Aquela bruxa estava pronta para fotografar uma ceninha romântica e armar um escândalo na imprensa. Ela tinha total certeza de que acabaria com o meu casamento, mas também mancharia a reputação do Dante, o que favoreceria os interesses do Otto no Conselho.
O Dante permanecia posicionado bem perto da porta de entrada, com as mãos nos bolsos da calça, alheio a toda a movimentação da casa, aguardando os convidados para o chá. E antes que o meu marido pudesse perceber qualquer coisa a girafa oferecida brotou atrás dele e o abraçou como se fosse uma trepadeira indesejada crescendo no jardim.
Sem demonstrar nenhuma timidez, recato, respeito, educação ou polidez, a sonsa Malta se esgueirou, esticou as duas mãos e agarrou o meu marido pela cintura, colando o seu corpo quase nu no meu mauricinho com uma intimidade profunda que me fez ter vontade de agarrá-la pelos cabelos e arrastar até a rua!
- Dan… eu não aguentei de saudades de você todos esses anos, vem curtir o domingo comigo relembrar os velhos tempos… eu sei que você ainda sente o mesmo por mim. Vem, Dan, a gente pode relembrar os nossos encontros na sauna. - A girafa oferecida sibilou com uma voz melosa e sedutora.

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