"Valentina"
A Sra. Malta empalideceu no mesmo instante, o seu semblante rígido de madame fina passando para um vermelho vivo de pura fúria e vergonha pública incalculável. Mesmo assim, ela sustentou o meu olhar com elegância e transmitindo uma solidariedade silenciosa, de quem também detestava mulheres levianas e oferecidas. A mãe da Carmela avançou a passos rápidos e implacáveis em direção à filha, a pegando pela orelha e a arrastando a três passos de distância do Dante.
- Saia já daqui, Carmela! Você é uma vergonha para a nossa família! Eu não admito esse tipo de comportamento imoral e leviano! Você nunca mais vai se aproximar do Dante Montenegro, ouviu?! Ou eu vou obrigar o seu pai a deserdá-la! - A Sra. Malta esbravejou de forma severa, arrastando a girafona pela orelha. Mas quando elas estavam chegando à porta a perua da Aurélia saiu do esconderijo.
- O que está acontecendo aqui? - A Aurélia ia bancar a defensora da girafa biscate. - Lúcia, por que está brigando com a menina?
- Ela não é nenhuma menina, Aurélia! E não deveria ter se enfiado na casa de um homem casado em trajes tão... constrangedores! - A mãe da Carmela respondeu ainda segurando a orelha da filha, que estava meio torta para o lado, tamanha força que a senhora empregava naquele puxão.
- Lúcia, querida, calma! Fui eu quem convidei a Carmela para um banho de piscina. O que há de mau nisso? - A Aurélia defendeu a sua cúmplice.
- Pois fez muito mal, Aurélia! Você não respeita a casa dos Montenegro? Não respeita o seu enteado e a memória do seu falecido marido? Não respeita a instituição do casamento? - A Sra. Malta falou rígidamente e sem querer me deu o meu momento.
- Ah, isso ela não respeita mesmo! Afinal ela foi amante do meu falecido sogro por anos, não é mesmo?! - Eu soltei e vi o Dante abaixar a cabeça, enquanto os outros homens coçavam as cabeças e limpavam as gargantas e o Murilo me encarava com as sobrancelhas erguidas.
No entanto, as reações das mulheres foi completamente diferente. Elas olharam para a Aurélia completamente horrorizadas. Estava claro para mim, o casinho sórdido da Aurélia nunca tinha sido notícia na alta roda social.
- Sua dançarina vulgar! Cala a sua boca! - A Aurélia gritou descontrolada.
- Ah, era segredo? Eu não sabia! - Eu a encarei com a minha melhor cara de inocente.
- Escuta aqui, sua...
- Escuta aqui você, Aurélia! - A Sra. Malta gritou e largou a filha para se aproximar da Aurélia. - Eu não quero você perto dessa desmiolada da Carmela. Deus sabe o quanto tem sido difícil tentar mantê-la sob controle. Você não vai usar a minha filha para atrapalhar a vida do Dante! Está ouvindo, Aurélia!
- E o que você pode fazer, Lúcia, a sua filha é maior de idade! - A Aurélia debochou.
- Ah, eu posso fazer muita coisa! A começar que a desmiolada ali adora dinheiro e vai voltar correndo para a Europa assim que o pai cortar toda a vidinha de eterna "it girl" dela. Quanto a você...

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